sábado, 24 de maio de 2014

Coluna Rede Literária, edição # 97, de 24.05.14

PRÓLOGO

Salve, gente linda. Trazemos aqui nesta edição um conjunto de poemas produzido por uma turma de jovens poetas locais. O grupo é animado com a literatura, participando ativamente de saraus e de grupos de leitura, além de escrever muito na internet. Nada mais justo que estimulá-los a continuar produzindo e publicando, né? Então curte aí e manda teus comentários.

Edgar Borges
Mande notícias: culturaderoraima@gmail.com/edgarjfborges@gmail.com
Siga no twitter: @borgesedgar



QUEM SABE DEPOIS

Isso é passageiro,
Como tudo nesse mundo é.
Tudo passa tão ligeiro,
Para quem tem ou não fé.

Não há diferença entre nós,
Nossas diferenças já nos tornam iguais.
Daqui uns dias seremos como nossos avós,
E o nosso tempo ficará para trás.

Amanhã o nosso hoje será passado.
Qual é o sentido da vida?
As pessoas não estarão sempre ao nosso lado,
E nem os problemas que a gente lida.

No fim não iremos saber,
Veja só, o sol se pôs.
Talvez não devemos agora entender,
Mas quem sabe depois...

Hendria Moura 
@hendriamouraa



INDESEJADO

Que lindo o dia lá fora
Mas permaneço dentro porque não sei sair.
Aqui comigo até a solidão chora
Por não ter com quem compartir.

Esperar não adianta pra mim,
O amor já é sinônimo de tristeza.
Os poucos que me deram um sim
Não ficaram para a sobremesa.

Assim criei obstáculos ao meu redor,
Paredes que nem o mais bravo escala
Para ninguém poder ver o pior:
Um retrato seu em minha sala.

Tallon Almeida 


NÚMERO 01

E essa minha quase história
De ser quase nada
E de ter quase ninguém,
E de viver quase em frangalhos
E todos esses quase retalhos
Me fazem quase completa
Só por ser de um quase alguém.

Carol Diniz 
@c4rolinda


PAÍS DE SABIÁS

Ó!, mas que bela terra
Onde canta o sabiá
Só canta. Alegre a cantar
Esquece que por aqui
Também tem gente que erra
E que, de tanto errar
Só não vai criar mais guerra
Pois sabiá um dia para de cantar
Por sede, por fome
Ou por de medo de engasgar
Mas sabiá que morre
Vai saber o que tem lá
O sabiá que vive
Quer melhorar o que tem cá
Será que o que lá tem
É melhor do que cantar?
Mas a gente que erra
Também veio me contar
Que pros sabiás sem terra
Logo terra sobrará...
Ri da sua audácia
De tentar me enganar
Prefiro cantar mudanças
Que não saber assobiar.

Claudio Cordeiro 
@cloudscordeiro / po3teiros.blogspot.com


COM 17 ANOS

Mesmo que vontade eu tenha
E seja muita
E tenha tempo e disposição
E queira combater o mundo
Encontro um problema:

A intolerância é um vírus
Que se espalha no ar
E sufoca a multidão.

Por isso me escondo,
Rastejo,
Moro em buracos.
Me alimentos de palavras
E pensamentos.

Por isso eu grito poemas.

Felipe Rocha 
@felipethiagoc / po3teiros.blogspot.com

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Contaram-me umas histórias
de umas vidas contundidas.
alguém que amou alguém
e que depois se viu perdida.
Alguém que deixou alguém
por outro alguém mais cheio de vida.
Em algum lugar alguém que quis alguém
e que foi querido de volta,
mas o destino não lhes quis bem
e o amor compartido não adiantou.

Alguém que lutou por alguém,
que no fim lhe rejeitou.
Houve quem quisesse alguém de longe,
outros que quiseram sem que o outro soubesse,
casos de amor impossíveis
amantes proibidos
faziam do amor um crime
e do querer o pior dos pecados
como Hipólito e Fedra de Rancine.

Precisei ouvir tantas histórias comuns
pra saber que do que eu sofro
já sofreu mais de um.
De amor eu não morro, já sei.
Não morro, mas mato.
Porque não sei fazer trato
e nem dividir trama.
Sofrer por ti só posso eu,
não há roteiro
pra outros personagens
nesse nosso drama.

Bárbara Cabral 
@tuliparte


CORAÇÃO DE ATLAS

Com a força de Atlas
Carrego o mundo em minhas costas
Um mundo de dor
Tristeza e sofrimento

Uma guerra desbravada
Dentro de um coração
De caído e partido ao meio

Um mundo de barreiras,
Medos e receios
Pois nele se constroem e se destroem preceitos

Não há amor
Não há luz nesse coração
Só trevas que vem e que vão.

Hander Frank
@handerfrank


LANÇAMENTO

No sábado passado, dia 17, o escritor roraimense Cristino Wapichana, atualmente morando no Rio de Janeiro, veio ao Estado para fazer o lançamento de sua segunda obra, o livro Sapatos Trocados, da editora Paulinas. O evento aconteceu na Praça das Águas e reuniu amigos, familiares e fãs de literatura. Confere como foi nestas fotos de Jorge Macêdo. Se quiser, dá um pulo depois  na Livraria

Saber e compra a obra.