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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Coluna Rede Literária, edição #147, de 02.02.18


Prólogo

Bom dia, boa tarde, boa noite a quem é de bem e acessa este blog para buscar informações sobre o mundo literário e artístico. Bom tudo principalmente para quem não embarcou na onda de xenofobismo que está varrendo o Estado, com parlamentares, integrantes dos governos municipal e estadual e deformadores de opinião alegando que a culpa de todos os males que Roraima vive é dos migrantes venezuelanos.
A vontade de jogar no outro a conta pelo que nos incomoda é um dos traços do roraimense: é assim desde que os primeiros invasores de terras, a serviço do império português, bateram as botas nesta região: a culpa do atraso é dos indígenas, os males são trazidos pelos nordestinos, os sulistas só querem aproveitar-se, o nortista só vem para roubar… O senso comum encontra fácil os seus alvos e poupa a turma de pensar um pouco mais sobre os impactos da falta de planejamento econômico e social, a macropolítica nacional e a corrupção em diversas esferas governamentais, entre outras questões. Tudo isso porque é mais fácil odiar do que pensar.


Edgar Borges

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MESMICE

Sobre isso do poder do senso comum, aplicável a uma imensidão de situações cotidianas, daquelas em que a gente pensa 9879898759823 vezes se vale a pena ou debater, fica aí para ajudar na reflexão uma charge que achei muito bacana do cartunista Benett. Todo dia ele publica em seu perfil no twitter.



 GANHADORES

Vamos conferir os textos ganhadores do II Concurso Literário Internacional Palavradeiros, cuja premiação foi realizada na última sexta-feira (26/01). O regulamento da próxima edição tem lançamento previsto para os próximos meses. O e-book com todas as obras pode ser conferido clicando aqui. 
Na categoria Conto, o ganhador foi o autor Don. Cada prosa deveria ser inspirada em um poema de escritores nascidos ou moradores de Roraima. Don escolheu um da poeta Zanny Adairalba, cuja obra está na sequência.

Dançarina  

Don, primeiro lugar na categoria Conto (Foto: Divulgação)
Era um grupo teatral. Tudo era um espetáculo ao ar livre. De repente, um garimpeiro de folga sentou-se na praça, meio sem ter o que fazer. Ainda há lembranças. Era o segundo ato, cena 38. Uma dançarina benfazeja, uma fada, uma rica criatura, leve, linda, livre, solta. Ela levitava. Praticamente escrevia versos com seu corpo, tentando chamar sua atenção.

Tudo o que ele tentava era retê-la em si. Pouco importava se a trupe agradava ao resto da plateia. O som, as roupas dela, o momento, suas vestes, o movimento, seus trajes, o frenesi, o enlevo. O princípio e o fim. O Alfa e o Ômega. O que era mais belo, a dança ou a Dançarina?
Flautas, adufes, tambores, tamborins, palmas e vozes. Um uníssono. Uma unanimidade. Um em todos. Um!

O que ela imaginava? Ah, o que ela imaginava? Somente ela sabia. Talvez mais ninguém. Porém, o garimpeiro dançava junto. Um amálgama de almas dançando juntas! Em pensamento, ele era livre como ela! Ele estava ganhando o céu, para ganhá-la. A melhor pepita, a melhor gema, a melhor mulher.

O balançar dos cabelos, o cheiro, o riso moleque, o nunca se cansar. Tudo era estudo. Milimetricamente cronometrado. Isto porque o espaço dos milímetros se libertavam dos segundos do tempo. Não havia mais tempo-espaço. Agora eram só os dois.

Um dia, uma hora, um momento aquele delírio teria fim? Sim, claro que não! Diferente das festas dos colegas do garimpo, aquela era a selva que ele se embrenharia o restante da sua vida. Aquela embriaguez ele não trocaria por nada que estivesse em qualquer lugar abaixo do céu.

Mas desde que a terra gira, o mundo é mundo. E o pé, que pisa o chão, tem que aqui estar. A dançarina possui todos os elementos no seu ser, pois ela é uma metáfora que entrou aqui não por acaso: ela é a própria Divindade! E o garimpeiro, o pobre, mas feliz sonhador, este é o que agora cessa de escrever para dançar mais um pouquinho...

....

A seguir, o poema que inspirou o conto acima:

Dança, de Zanny Adairalba

Tento te buscar entre os meus versos
Tua forma
Teus gestos
O teu cheiro.
Tua serenidade diplomática...
Por vezes,
Teu riso moleque,
(teu cheiro)
o balançar dos cabelos
Tento te alcançar para te rever
Para te reter
Em mim.
Tento te buscar
(Tento te buscar)
E por fim te alcanço.
Tento te servir
― Ai que não me cansa...
O me imaginar
O te imaginar
E nos colocar
Numa mesma dança


E AGORA, POESIA 

A primeira colocada foi na categoria Poesia do Concurso Lavradeiros, exclusiva para estudantes de ensino fundamental e médio de Roraima, foi Duda Azevedo, aluna da Escola Ayrton Senna da Silva, de Boa Vista (RR). Confira a obra:

Bailarino

Duda Azevedo, primeira colocada na
 categoria Poesia (Foto: Divulgação)

Cada movimento é uma arte
Sua alma completamente nua
A entrega faz parte.

Seus sentimentos expostos
Como ninguém jamais viu
Sua emoção alarmante
Como ninguém jamais sentiu.

A música vai se elevando
Enquanto aumenta a paixão
Cada toque é um toque
Em seu coração.

Ele traduz a música com o seu corpo
Ele conta uma história sem dizer nada
Ele sabe o quanto exige esforço
Mas tem em si uma vontade nata.

Há quem diga que é um sonho
Outros dizem que é ilusão
A verdade é que o bailarino
Tem a chave da emoção.


CINEMA EM CUBA

Quer tentar ir pra Cuba fazer uma especialização em cinema? Então veja aí que estão abertas até 2 de março as inscrições para o processo seletivo 2018 / 2021 da Escuela Internacional de Cine y TV, em San Antonio de los Baños. As provas serão aplicadas nos dias 16 e 17 de março, em Belo Horizonte (MG), Florianópolis (SC), Belém (PA)e Brasília (DF) e Fortaleza (CE).  O curso tem duração de 3 anos, com início previsto para setembro de 2018. Diferentemente de outras edições, o Ministério da Cultura não oferece mais o subsídio para as matrículas dos alunos brasileiros. As vagas são para Direção, Produção, Roteiro, Fotografia, Som, Documentário, Edição e TV e Novas Mídias. Mais informações:  www.eictvbrasil.blogspot.com.

PROTAGONISMO



A coach e palestrante Débora Teixeira lançou no dia 19 de janeiro, no Gressb, o livro “Para onde foi seu sonho?”, uma coletânea com 20 autores abordando a superação e realização de seus desejos. Débora escreveu o capítulo 16, com o título “Seja o protagonista”, enfatizando que “o primordial para que o sonho vire realidade é se colocar como o ator principal na peça da vida chamada sonho. Ninguém deve ter maior vontade de realizar do que nós mesmos.”
O livro pode ser adquirido pelo e-mail coach.debora30@gmail.com, telefone 95- 98111- 6126 ou no site da Livraria da Travessa.


NOSSA TERRA

Em dezembro do ano passado, o professor de Letras Devair Fiorotti lançou seu terceiro livro de poemas,intitulado “Urihi – nossa terra, nossa floresta”. São cerca de 40 textos escritos a partir da ótica de um membro da etnia Yanomami que foi sequestrado de sua tribo ainda criança e criado por um garimpeiro. A obra tem ilustrações do artista plástico Jaider Esbell, da etnia Macuxi. Interessados podem adquirir a obra via mensagem no WPP: (95) 99119-6803. Confiram algumas páginas a seguir:












COLABORE

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quinta-feira, 26 de março de 2015

Fotógrafa faz intervenção "Artista de Plástico" no muro da antiga boate Fofoca`s



Uma intervenção que une as artes plásticas e a fotografia foi realizada nesta quinta-feira (26) na avenida Ville Roy, bairro Aparecida, preenchendo o muro da antiga boate Fofoca’s com reproduções de obras e retratos de artistas paraenses. A iniciativa faz parte do projeto “Artista de Plástico – práticas híbridas na Amazônia urbana”, coordenado pela fotógrafa acreana Talita Oliveira.

O projeto foi contemplado pelo Programa Amazônia Cultural 2013, do Ministério da Cultura/Governo Federal e será realizado em quatro capitais da região Norte (Belém/PA, Boa Vista/RR, Porto Velho/RO e Rio Branco/AC), envolvendo cinco artistas plásticos de cada cidade.

A intenção é fazer um deslocamento semelhante ao que acontece com o grafitti, que nasceu nas ruas e foi para as galerias. “Todas as obras reproduzidas fotograficamente e coladas nas ruas, possuem, originalmente, suporte e intenção de serem expostas em lugares fechados, galerias ou demais espaços expositivos.Mesmo quando expostas e/ou produzidas na rua, como a performance,  acontecem em um espaço de tempo determinado, diferente da intervenção urbana proposta pelo projeto, em que as imagens ficam nas ruas até serem apagadas pela ação do tempo ou por outra intervenção”, explica Talita.



As intervenções do projeto não possuem texto explicativo, nem créditos. Nas ruas, são apenas imagens soltas, de livre interpretação. Vídeos e fotos do trabalho podem ser vistos em https://vimeo.com/channels/artistadeplastico e em www.facebook.com/artistadeplasticox.

Como funciona - O projeto será realizado em Belém, Boa Vista, Porto Velho e Rio Branco, envolvendo cinco artistas plásticos de cada cidade. Eles são fotografados em seus ateliês e é feita a reprodução fotográfica de uma obra de cada.  Posteriormente este material é ampliado em grandes formatos e fixado nas ruas, como ‘lambe lambes´.

Depois das obras e os retratos dos artistas de Belém ganharem as ruas de Boa Vista, será a vez dos roraimenses serem expostos no Pará. Já as obras e os retratos dos artistas de Rio Branco/AC irão para as ruas de Porto Velho/RO e vice-versa. Ao final do projeto, será publicado um catálogo ilustrado com fotografias das ações nas quatro cidades, além de entrevistas com os artistas envolvidos. O catálogo será distribuído gratuitamente para bibliotecas e instituições culturais de toda a região norte.

Boa Vista foi a segunda capital a receber o projeto. Talita e sua equipe colaram obras e fotos dos paraenses Nando Lima, Pablo Mufarrej, Pedro Condurú, Elaine Arruda e Coletivo Pitiú. Em Roraima, o projeto conversará e registrará as obras e os artistas Ana Mendina, Jaider Esbell, Carmezia Emiliano, Isaias Miliano e Edinel Pereira.

 Primeira edição - Em 2014 foi realizada a primeira edição do projeto, que aconteceu somente em Rio Branco/AC, com a participação de doze artistas plásticos da cidade. Foram realizadas doze intervenções urbanas em doze bairros da capital acreana, além de vídeos que registraram as ações nas ruas e as visitas aos ateliês.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Coluna Rede Literária, edição # 123, de 06.12.14

PRÓLOGO

Salve, gente bonita!
Olha aqui a 123ª edição da coluna Rede Literária, com dicas de cultura, literatura e outras coisas bacanas. A mais importante das dicas é: compre livros para presentear os amigos e os inimigos neste final. De preferência, compre livros de autores regionais. Encampe essa ideia e vambora ler!

Beijos quase natalinos,

Edgar Borges
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MEMORIAL


Boa-vistenses das antigas e gente que curte saber da história da cidade: na quarta-feira (10), às 19h, tem música e dança no lançamento do Memorial da União Operária Beneficente. A ideia é preservar e divulgar a memória do prédio, construído em 1949, e que atualmente está sob responsabilidade da UFRR. Quatro painéis com fotografias que retratam o trabalho e cotidiano dos trabalhadores que ajudaram a construir a estrutura, além de registros das atividades feitas no local entre 1949 e a década de 80, formarão o memorial. É na avenida Nossa Senhora da Consolata, 565, Centro.

MATRÍCULAS

Pais e responsáveis: a renovação de matrículas para os estudantes da rede estadual de ensino será realizada no período de 8 a 22 de dezembro, em horário escolar, das 7h30 às 17h30 para o turno diurno e das 19h às 21h para o turno noturno.

SELFIE NATALINO


Da ilustradora italiana Simona Bonafini, criadora da série que mostra personagens de ficção batendo suas selfies

 LÍNGUAS OFICIAIS           

A boa notícia da semana: o município de Bonfim tornou oficiais as línguas indígenas Macuxi e Wapichana. Esta foi a terceira cidade a reconhecer línguas indígenas como co-oficiais no Brasil. São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, e Tacuru, no Mato Grosso do Sul, são as demais. A Lei Nº 21/2014 foi aprovada na sessão da terça-feira (2) pela Câmara de Vereadores. 


PENSAMENTO POSITIVO


Também da italiana Simona Bonafini























OFICINA

O projeto “Cultura da paz: um olhar fotográfico” promove na quarta-feira (10) a oficina de arte criativa Varal do Pássaro livre, com o artista macuxi Jaider Esbell. Será no Espaço de Arte e Cultura União Operária da UFRR, das 9h às 12h. Os participantes serão incentivados a criar imagens com o tema pássaro e os produtos farão parte de uma exposição.


LIVRO DA FAMÍLIA

O Centro de Educação do Sesc-RR realizou na quarta passada (3) o lançamento do "Livro da Família", produzido por alunos do 9º ano do ensino fundamental. A obra registra a história de cada família dos participantes.


MÚSICA BOA



Neste sábado tem música boa ali na saída de Boa Vista para a Venezuela. Chega junto e curte




CONCERTO NATALINO

Na quinta (11) tem o concerto Oratório de Natal, cantado, regido e solado por acadêmicos do curso de Música da UFRR. O evento será no auditório do Centro Amazônico de Fronteira (CAF), campus Paricarana, a partir das 20h. O espetáculo terá participação de uma orquestra formada por professores, alunos e convidados do Instituto Boa Vista de Música. Entrada franca.

 
GRANDE SERTÃO

Fãs de Guimarães Rosa, se atentem: “Grande sertão: veredas” foi adaptado para quadrinhos  pelo cineasta Eloar Guazzelli e ilustrado por Rodrigo Rosa. A obra foi publicada pela editora Biblioteca Azul, da Globo Livros. São sete mil exemplares a R$ R$ 199,90 cada.

COLECIONADORES

 

Sábado passado (29) rolou na livraria Saber o primeiro encontro de colecionadores de Roraima. Teve gente que levou selos, HQs, moedas, cartões telefônicos e postais. A galera do coletivo Comics Fãs RR levou suas actions figures, miniaturas de carros e quadros.

BEIJÚ

Neste sábado será encerrada, com muita festa, a 5ª edição do Festival do Beijú, aquela comida indispensável para acompanhar um prato de damurida. Se quiser participar, é só chegar na comunidade indígena Tabalascada, município do Cantá.

GULLAR

Tomou posse nesta sexta-feira (5), na Associação Brasileira de Letras, o escritor maranhense Ferreira Gullar, poeta, crítico de arte e um dos fundadores do neoconcretismo brasileiro. A sua cadeira é a de número 37, anteriormente ocupada pelo jornalista e escritor Ivan Junqueira, falecido em julho deste ano.

HOMENAGEADO

O escritor Cristino Wapichana será agraciado na próxima sexta (12) com a medalha da Paz da Coninter (Conselho Internacional dos Acadêmicos de Ciência, Letras e Artes). A entrega será feita na cidade do Rio de Janeiro, onde mora atualmente. Foto: Jorge Mâcedo.

sábado, 8 de novembro de 2014

Coluna Rede Literária, edição # 119, de 08.11.14

PRÓLOGOEstamos aí, cansados mas presentes. Curte enquanto ainda tem e espalha pela cidade que há literatura por aqui.
Beijos,

Edgar Borges
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VIVALEITURA


O Ministério da Cultura, Ministério da Educação e a Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura recebem até dia 21 as inscrições na edição 2014 do Vivaleitura, que premiará trabalhos na área de leitura desenvolvidos dentro de quatro categorias: "Bibliotecas Públicas, Privadas e Comunitárias"; "Escolas Públicas e Privadas"; "Promotor de Leitura (pessoa física)" e "ONGs, Universidades/Faculdades e Instituições Sociais". Veja como participar em http://www.premiovivaleitura.org.br.

LIBERTE LIVROS

Começa neste sábado (8) e vai até 16 de novembro a 9ª Edição do BookCrossing Blogueiro, evento colaborativo nacional que consiste em deixar livros espalhados pelas cidades com dedicatórias ou bilhetes avisando que os livros não estão perdidos e convidando quem os encontrou a ler e depois libertá-los novamente. Quem não tiver blog pode participar através das redes sociais, publicando na página do evento no Facebook ou em sua própria página. 

EDITAL DO BASA

Última semana para participar do edital de seleção pública de projetos para patrocínios do Banco da Amazônia S.A., com realização no período de março a dezembro de 2015. As inscrições terminam no dia 15/11/2014.  O documento está disponível em www.bancoamazonia.com.br.

OI CULTURAL

O Programa Oi de Patrocínios Culturais Incentivados encerra dia 10.11 o prazo de inscrições de projetos para a seleção nacional de projetos culturais 2014/2015, voltada a projetos apoiados por Leis Estaduais de Incentivo à Cultura em todo o Brasil, e a seleção da programação dos centros culturais Oi Futuro.  Acesse o site www.oifuturo.org.br para conferir.

POESIA

CHICOTE GROSSO 
Acobertamos muitos desejos imprevisíveis
que outrora vem à pele e afloram
armas inflamáveis e falíveis
Quando os esforços caem no fundo do poço
a vida arranha as costas
tal qual chicote grosso
Pensamentos acompanham o mundo na contra mão
e de mãos dadas,
se fundem ao caos construído por ilusões da inteligência
A breguice diária te causa depressão
de mãos desatadas
e com a apatia estampada numa alma que pede clemência
Mãos ao céu
cabeça baixa vomitando fel
todo lirismo está morto
A vida machuca,
faz mastigar até o caroço
A vida machuca,
tal qual chicote grosso.

Poema de Brendo Vieira. Leia mais dele em http://brendovieira.blogspot.com.br/.

REDATORA DE CARTAS

Ariel Lima Branco, aluna do 1º ano do ensino médio da escola estadual Gonçalves Dias, recebeu esta semana da Empresa dos Correios e Telégrafos um tablet como premiação pelo primeiro lugar da etapa estadual do 43º Concurso Internacional de Redação de Cartas. Na foto, a jovem de 14 anos está acompanhada pelo pai e a mãe, sua fonte de inspiração para o texto.

 MÚSICA NA ESTRADA

Se você curte música erudita, se liga que hoje rola a 4a edição do projeto Música na Estrada. O concerto gratuito com a Orquestra de Câmara do Amazonas começa às 20h, no Centro Amazônico de Fronteira, campus Paricarana da UFRR.

CONTAÇÃO 

Esta semana foi realizado o III Festival de Contação de Histórias do Programa Caminhada Literária. Estudantes de quase 30 escolas da rede pública de ensino participaram.

RORAINOPÓLIS

Rosidelma Fraga, professora do curso de Letras da Universidade Estadual de Roraima,  lançará seu terceiro livro de poesias: “Cantares de Amor”, no campus da UERR de Rorainópolis, no dia 12.

ELEIÇÃO DIRETA

Falando na UERR, a instituição está fazendo a primeira eleição para os cargos de reitor e vice-reitor, quadriênio 2015/2018. As chapas devem registrar-se entre os dias 10 e 14 deste mês.


SABER

 

 Zedequias de Oliveira Júnior e Jorge Macêdo lançaram na Livraria Saber, respectivamente, o livro “Áreas de Preservação Permanente urbana dos cursos d’água” e uma série de postais com fotos do Monte Roraima.  A festa rolou no dia 31 de outubro, como parte das comemorações dos cinco anos da livrara.

ALEGRIA


Feliz demais da conta com o sucesso dos lançamentos na Saber, o livreiro Antônio Bentes divide a foto com o escritor Jaider Esbell.


DAMURIDA
 
Termina neste sábado a IX edição da Festa da Damurida, na comunidade indígena Malacheta, município do Cantá. O coletivo Comics Fãs RR participará da festa no período matutino, levando uma exposição de histórias em quadrinhos e action figures, também conhecidos como bonequinhos.
FEIRA DO SESC
 
Tempos ruins para quem curte literatura em Roraima. Pelo segundo ano consecutivo o Sesc não realizará a sua feira de livros.  A coluna pediu informações sobre os motivos do cancelamento e previsão da feira voltar a ser realizada, mas o Sesc não se pronunciou até o fechamento desta edição.

Up date:  O Sesc mandou uma resposta por volta das 17h da sexta-feira (7).  Vai aqui na íntegra, com uma observação: não houve feira em 2013.

A Feira de Livros foi realizada em 2013 no Ginásio Centro de Atividades Mecejana, e neste ano, por questões orçamentárias, teve de ser suspensa. Mesmo assim, o Sesc-RR realizou diversas atividades que valorizaram a prática da leitura, como a Semana do Livro, Dia da Cultura, Dia do Livro. Leitura na Praça e Dia do Folclore. Todos esses eventos tiveram participação de escolas públicas da cidade e comunidade em geral. De acordo com a Proposta Programática de 2015, a Feira de Livros está confirmada na programação cultural do Sesc-RR.


CONPOESI

Para completar o quadro ruim da literatura, o Sesi também não realizará em 2014 o seu tradicional concurso de poesia, o Conpoesi, que já durava 15 anos. A coluna solicitou esclarecimentos e uma previsão do evento voltar a ser promovido, mas o Sesi também não se pronunciou até o fechamento da coluna.

CARTILHA
  
Olha que material legal para quem lida com dinheiro público, seja pegando para fazer trabalhos, seja lançando editais de seleção (o que, infelizmente, não faz parte da rotina roraimense): em trinta páginas, o manual “Gestão de transferências financeiras para execução de políticas culturais por meio de Editais de Seleção Pública”, explica como se dá o acompanhamento da execução física e financeira das propostas selecionadas em concorrências do governo Federal para apoio à cultura. A autoria é da CGU. Acesse a publicação em http://goo.gl/sby54X.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Artista plástico indígena expõe no Rio de Janeiro

O escritor e artista plástico Jaider Esbell vai expor no Rio de Janeiro de 12 a 19 de setembro. O teatro municipal Ziembinski vai abrigar a mostra Ĩtekre - Ekaremenen O Mensageiro, composta por 20 obras.

O espaço fica na rua Heitor Beltrão, Tijuca, em frente à estação de metrô São Francisco. Por e-mail, o artista de origem macuxi contou um pouco sobre a mostra.

Clique para ampliar o cartaz da mostra


 Quantos quadros você vai levar e qual é a temática deles?

Estarão compondo essa mostra um total de 20 pinturas que procuram contemplar a grande diversidade do estado de Roraima, tanto as questões étnicas, paisagísticas, geógráficas, cosmológicas e, sobretudo, contemporânea. É uma ocasião especial para degustação, mas estarei com o portfólio impresso onde estará a coleção completa organizada por temáticas.
 

Como surgiu o convite para expor no Rio?


Essa exposição é um investimento pessoal que estou fazendo para a divulgação do meu trabalho de arte, o que chamo de campanha. Estarei falando e mostrando as coisas do nosso estado. Estava planejando esta viagem por ocasião de minhas férias do trabalho (Eletrobras) e nesse meio tempo, recebi a visita de um artista da Funarte, que é do Rio de Janeiro ao meu ateliê e numa conversa afinada, recebemos o convite para que concentrássemos a mostra no Teatro Municipal Ziembinski. A parceria evoluiu e estaremos no Teatro Municipal de 12 a 19/09.


Quais outras exposições você realizou este ano em Roraima e fora do Estado?

Este ano fiz duas grandes exposições. Durante o mês de abril estivemos na UERJ - Universidade do Rio de Janeiro, com a exposição Reflexos da Ancestralidade, uma iniciativa do Nearin com  curadoria e produção do Cristino Wapixana. Aqui em Boa vista, simultânea à exposição no RJ, estreamos a exposição Cabocagem o homem na Paisagem, que ficou por quarenta e cinco dias em cartaz, entre os meses de abril e maio. Ainda participamos a convite de artistas do Mato Grosso, com patrocinio da Funarte, da exposição coletiva Vida no Mato.


E as próximas, serão onde?

Ainda este ano, como parte dessa "campanha", estarei indo a Porto Alegre-RS, também em setembro. Quando retornar devo fazer uma mostra instantânea na Casa do Neuber. Depois sigo para Normandia na primeira quinzena de outubro, onde estarei realizando novamente uma exposição naquele municipio, quando estarei comemorando meu primeiro ano de carreira como artista plástico. Em 2013 no primeiro semestre estarei desenvolvendo as atividades para a grande mostra coletiva de artistas indígenas idealizada como "A reinvenção do tempo nas perspectivas dos netos de Makunaima - artistas indígenas roraimenses e suas cosmovisões em artes contemporâneas". No segundo semestre de 2013, estaremos em exposição itinerante internacional. Trata-se da exposição MIRA - Arte Contemporãnea dos Povos Indigenas, uma iniciativa da UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais, com o apoio do Itamarati. Os meses de junho e julho a exposição ficará em Belo Horizonte e nos próximos meses seguirá para o Perú, Colombia, Bolívia e Equador.  

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Jaider Esbell e sua cabocagem

Convidei o artista plástico Jaider Esbell para falar de seu trabalho, sua exposição Cabocagem, suas influências, sua vida. Ele mandou para os leitores do Cultura de Roraima este texto e as fotos. Aproveitem. Ah, e apareçam na exposição, que termina amanhã.







O ano de 2011 é o marco inicial da minha trajetória como artista plástico. Antes disso, estive observando, escutando e sentindo. Aos 32 anos inicio a minha exposição pública. Exponho não só o meu rosto, mas essencialmente o meu pensamento e a trajetória de uma sociedade em transformação. Eu sou arte-educador. Em cada quadro que finalizo, inicio uma nova e instigante jornada. Nova para muitas pessoas e vital para outras, que não seriam as mesmas se tivessem que existir de outra forma.




A obra Mulher na Roça é uma cena do meu cotidiano, do cotidiano do meu povo nativo, daqui. Sem a mulher e sem a roça, não teríamos presente tampouco futuro. A mulher e sua roça são como mãe e filho, colo e proteção.

Busco inspiração virando pássaro, e retornando num vôo rasante, escuto o que os parentes tem a dizer. O que os espíritos diziam nos rituais, agora eles sopram no vento porque rituais já não querem mais ver. Bater folhas e outros segredos foram desacreditados e a medicina já não dá conta de tudo. Kanaimé já quase não assunta e já há quem ri e zomba dele.






Ando catando fragmentos de panelas e ossos, pontas de flechas e miçangas espalhadas na multidão que avança sedenta e sem alma. Abstrata, sem rosto ou forma que não bebe o leite do peito e de manhã, não são os cantos dos pássaros que lhe acordam, são as sirenes. Eu passo nas cidades grandes e os rios agora são desgostos e os índios são empecilhos.



Já tiveram tantos que passaram fazendo arte e disso fizeram aquilo, e daquilo fizeram outros e outros se fizeram deles. Eu me inspiro nas cores, nas formas, nas dores, nas feridas, nos esquecimentos, naquilo que tá na origem, no cerne do ser. Naquilo que rompe o homem de todos os outros bichos, na forma de ver e pensar. Me inspiro nos cheiros, aromáticos e fétidos, nas cheias e secas de lama e poeira. Na vida que cruza mundos em sombras de bananeira, nas ramas de batata doce, abacaxi e macaxeira eu não vou a museu eu bebo na fonte.




Compartilho esse trabalho com quem quer um toque de esperança, com uma criança e com quem busca se achar diante de si mesmo. Com gente chique da savana. Eu digo isso porque assim me foi determinado e eu falo pelos antigos, que foram para que e você, pudéssemos dizer que sim, aqui um dia já teve dias mais alegres.



O que falo o que escrevo o que desenho, o que com cores dou vida, o que capturo com o olho da máquina, misturo tudo e como, como igual pirão raspando o fundo do tacho, dividindo com os irmãos, todos sentados no mesmo chão. Quer provar?


Nazareno e Criz, amantes da arte e da vida, adquiriram a obra Moradia e dizem que: Adquirir uma obra do Artista Jaider Esbell, representa principalmente o resgate de cultura e a integração de uma nova ordem socioambiental.





Nos vemos lá. Onde? No futuro.
Jaider Esbell – Arte educador

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Coletivo Caimbé no XIII Concurso Sesi de Poesia

O Serviço Social da Indústria de Roraima realizou na quinta-feira 29 de agosto a segunda fase da XIII edição do Concurso Sesi de Poesia (Conpoesi), o mais tradicional do Estado. 16 poesias classificadas foram interpretadas no Malocão do Sesi.

Edgar Borges representou o Coletivo Arteliteratura Caimbé como jurado da modalidade interpretação. Esta foi a segunda ocasião em que atuou como jurado do Conpoesi. A primeira foi em 1997, na primeira edição do concurso.

O grande vencedor da noite foi o poeta Rodrigo Mebs, na categoria Comunidade. O poeta ganhou cinco dos seis troféus de sua categoria, sendo dois na modalidade escrita e três na interpretação.


Rodrigo Mebs

Confira o resultado do Conpoesi 2011:

Modalidade escrita - categoria industriário


1º lugar – “Confecção do amor”- Margarita Caplan Schvartz - VIVO
2º lugar – “Retrospectiva” - Jonas Gondim Martins – Correios
3º lugar – “Vida de garimpeiro” de Jonas Gondim Martins - Correios

Modalidade escrita - categoria comunidade

1º lugar – “O caminho’ - Ciro Campos
2º lugar – “Desterro” - Rodrigo Mebs de Santana
3º lugar – “A saída” - Rodrigo Mebs de Santana

Modalidade Interpretação – categoria industriário

1º lugar – “Um ser” – Autoria de Danúbia dos Santos/ Interpretada por Fábio Gonçalves – Eletrobrás Distribuição
2º lugar – “Festa de casamento” – Autoria de Jaider Esbel/ Interpretada por Cecília Monteles – Eletrobrás Eletronorte
3º lugar – “Gotas D’Água” – Autoria e interpretação: Margarida Caplan – VIVO

Modalidade Interpretação – categoria comunidade


1º lugar – “Desterro” – Autoria e interpretação: Rodrigo Mebs
2º lugar – “A saída” – Autoria de Rodrigo Mebs/ Interpretada por Alessandra Almeida Denz
3º lugar – “Jardinagem” – Autoria de Rodrigo Mebs/ Interpretada por Adília Ribeiro

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Poeta roraimense ganha Bolsa Funarte de Criação Literária

A Fundação Nacional de Artes (Funarte) publicou quarta-feira (4) a relação de 60 projetos contemplados com a Bolsa Funarte de Criação Literária. Os autores receberão R$ 30 mil para desenvolver textos inéditos nos gêneros lírico (poesias) ou narrativo (romances, contos, crônicas e novelas). O investimento total da Funarte no programa foi de R$ 1,9 milhão.

Foram inscritos neste ano 79 projetos de escritores da região Norte. Roraima tem, pelo segundo ano consecutivo, um representante entre os cinco selecionados. O felizardo de 2010 é Jaider da Silva Esbell, com o futuro livro "Terreiro de Macunaíma - mitos, lendas e estórias em vivências".

Os projetos foram selecionados por uma comissão formada por dez especialistas em literatura — Roberval Pereira, Evelina Hoisel, Luis Pimentel, Carlos Didier, Alvaro Costa e Silva Filho, Salomão Laredo, João Carlos Ribeiro, Márcio de Melo, Rita Limberti e Carlos Botkay.

Jaider vai falar sobre lendas e mitos da região

A seguir, uma entrevista com Jaider, o poeta descendente da etnia Wapixana. Se quiser depois trocar ideias direto com ele, manda um e-mail para es.b@hotmail.com.


Surpreso por ter sido selecionado pela Funarte?

Sim, muito. Especialmente por ser um concurso nacional de ampla divulgação e bastante concorrido. Também por ter sido a primeira vez que escrevi um projeto para a elaboração de uma obra de literatura. Surpreso pela oportunidade que o Brasil tem dado para se conhecer melhor, conhecer melhor seu povo e suas identidades regionais. Surpreso por protagonizar a democratização das oportunidades, mesmo achando que isto deve ser ainda maior.

Qual será a temática e gênero do projeto selecionado?

O projeto se chama: Terreiro de Macunaima - mitos, lendas e estórias em vivencias. E a proposta foi a apresentação de um livro com dez contos que registrará alguns mitos, lendas, estórias e passagens do cotidiano roraimense, manifestados em comportamentos e costumes variados. O teor dos contos busca valorizar a tradição de contar estórias e avivar na memória o universo especial das vivencias tradicionais. Um mix de realidade e fantasia. Esperem!

Como nasceu a idéia de elaborar esse projeto?

Estava com uma boa produção de textos e muita vontade de publicar alguma coisa, algo que me transportasse de novo para os dias no campo, e o contato com as pessoas, em especial os idosos e bem vividos, que terão participação fundamental na construção e consolidação deste projeto, pois como disse, para manter vivos os mitos e lendas, devo estar mais próximo de quem ainda os guarda e vivencia. Ao conhecer o edital, ví que muito do que eu queria enquanto escritor poderia se tornar realidade com o apoio oferecido pelo MINC. Acreditei e mergulhei na ideia do projeto.

Há quanto tempo você mexe com essa tal de literatura? Ou é a tal da literatura que mexe com você?

O meu primeiro contato com a literatura foi como ouvinte, quando meu avô, um wapixana velhinho reunia os netos em volta da rede e contava estórias fantásticas criadas por ele mesmo uma vez que não dominava a leitura. Deste contato descobri que queria ser também um contador de estórias e fui buscando um envolvimento maior. Na escola e na faculdade sempre escrevia, mas guardava para mim. Aos poucos fui mostrando meus textos e recebendo retornos positivos pelo conteúdo dos escritos, daí com mais segurança tenho intensificado o exercício da escrita desde 2007.

Você foi um dos premiados este ano no Concurso de Poesias do Sesi. Já havia recebido outros prêmios?

O primeiro prêmio que recebi pelo trabalho de arte foi uma panela de barro, quando fiz um desenho num congresso de catequistas indígenas ali na comunidade Canauaní. Quando cheguei em casa, vi que a panela esta rachada, mas gostei do prêmio, muito original.

Geralmente, qual é a temática de suas poesias?

Tive a felicidade de nascer e viver toda a infância e juventude no interior do estado, com todas as boas coisas que só mesmo vivendo para saber. O contato direto com a natureza, a interação e harmonia com o meio ambiente e o romantismo que resume tudo isso tem forte influencia sobre minha produção artística. Mesmo sabendo que a poesia pode ser triste, dolorosa, trágica, prefiro a poesia que conforta a alma e valoriza a beleza da viver.

Confira a poesia CABOCAGEM, premiada no Concurso de Poesia do Sesi 2010:

Sou desses campos montanhas e vales
Cato mirixi no chão ciscando folhas
Encho a mão jogo na boca e cuspo os caroços
Descanso à sombra do caimbezeiro
No ardor do meio dia mergulho num lago
Deixo o brilho do sol na água dourar minha pele fortificar meus cabelos
Ando pareço sem rumo mas sempre me acho no fim do dia
O vento apaga meu rastro recém nascido assim ando sempre à frente
Não faço cerca não mato sem fome
Trago peixe na enfieira carne seca e moqueada pimenta à cartucheira
Farinha beijú pajuarú
Casa de parente é casa nossa
Visita longa fogo feito rede atada
Mulheres em fila na catação
curumins praticando danação
Roça grande ajurí juriti massa no tipiti
Rio cheio canoa desliza silenciosa à sombra de copaíbas
Cuidado desvia do jauarí pega arapari flexa caparari
Bichos despertam em fúria.
O vôo dos patos assusta o jacaré
Mergulhando espera a calmaria
Iguanas ao sol enganam gavião com suas fantasias de cores
Tô aqui tô ali
sou verde sou o que precisa ser
Lago secando fazemos barreiras
Batemos água botamos timbó
O peixe sobe mambembe já esperava por este dia
Pés íntimos dos campos ornados hora por lama hora poeira
Cruzam e descruzam
Caminhos entrecortados por linhas sinuosas de buritizais
Vou pego palha
Os frutos caem
Mordiscados por maracanãs frenéticas
Me perco no meio do brejo mato alto
Me encanto com tudo que vejo
E tudo que vejo vejo desde meu nascer
Pegadas de porco do mato cheiro forte olhar austero
Tamanduá percorre seu território
Cupim aqui formiga ali
O dia encolhe a sombra muda de lado
Os ventos trazem a calma e armadilhas da noite
Olhos vagos na escuridão vento frio
Canaimés rasga mortalhas murucututus
Bichos da noite filhos da Mãe da lua Cruviana
Estrelas vigiam atentas mas quando piscam algo acontece