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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Sesi divulga poemas classificados para segunda fase do Conpoesi 2013


O Sesi Roraima divulgou nesta terça-feira (19) a relação de poemas classificados para a segunda fase do XV Conpoesi, o concurso de poesia mais antigo do Estado.

Na modalidade escrita, sete poemas foram classificados na categoria industriário e oito na categoria comunidade. A próxima fase é a da modalidade interpretação, marcada para o dia  26 de novembro, às 20h, no Auditório do SESI, avenida Brigadeiro Eduardo Gomes, com entrada franca. Nesta data serão divulgados os ganhadores de 2013.

Os poemas foram escolhidos com a ajuda de um jurado residente em Roraima e dois de fora do Estado. Foram inscritas 83 poesias nas duas categorias.

Na categoria comunidade, este blogueiro identificou seis dos oito participantes: ele próprio e os poetas Zanny Adairalba, Adília Quintelas, Victor Matheus Mattos, Francisco Alves e Rodrigo Mebs.

Veja a lista de poesias e o pseudônimo usado pelos autores classificados:

Categoria Industriário
PSEUDÔNIMO
POESIA
Borboleta Azul
Borboleta
Cara Melo
Traição e Suicídio
Coriapu
Revolta
O Poeta Diferente
A Geringonça Informatizada
Paraná do Suapi
A Casa Amarela
Rafa
Roraima um Pedaço do Céu
Romântico
Verdade ou Ficção

Categoria Comunidade
PSEUDÔNIMO
POESIA
Basheva
Minha Mãe, a Mulher de Lot
Cavalo Alado
A Paixão
Eva
Cortejo
Impressionado
Transbordar
Incauto
Escultura Inacabada
Kal-el
Inania Verba
Lunna Luppo
Algoz
Montinegro Del Toro
Ávida Vida



Clique e veja a cobertura das finais dos Conpoesi nos anos 20122011 e 2010



domingo, 3 de junho de 2012

Escrita feminina leva todos os prêmios no XIV Conpoesi (Concurso Sesi de Poesia)

A noite da sexta-feira 1° de junho foi bonita em Boa Vista. Poetas e atores foram premiados no XIV Concurso Sesi de Poesia (Conpoesi), que distribuiu R$ 6 mil para os três melhores colocados nas modalidades Escrita e Interpretação das categorias Industriário e Comunidade.

Neste ano, o poder da escrita feminina dominou o  Conpoesi. Todos os prêmios da modalidade Escrita foram para mulheres, algumas delas já conhecidas do palco do concurso, como Zanny Adairalba e Eli Macuxi.

A festa do mais antigo e único concurso literário de Roraima rolou no auditório do Sesi Roraima, reunindo amigos e familiares dos concorrentes, além dos amantes da poesia.

A equipe deste fantástico blog Cultura de Roraima chegou quando as atividades já haviam iniciado. Na entrada, lista de presença para ser assinada. No final do evento, o anúncio: a maior torcida ganharia uma semana de atividades gratuitas no Sesi. O primeiro lugar, disparado, sem concorrência e imbatível, ficou com a turma da poeta Eli Macuxi, que encheu geral o auditório. 

Mas indo ao que mais interessa, o resultado ficou assim, caros leitores: 

Ganhadores da modalidade Interpretação

Categoria Industriário
Fábio Gonçalves, por Jader Souza

1° Lugar: Fábio Almeida, que interpretou a poesia “Magia do Lavrado”, de Danúbia dos Santos, sua
esposa.  Fábio, vale destacar, já foi premiado diversas vezes nesta modalidade. A penúltima foi no ano passado, quando também defendeu um texto de sua mulher. 




 2° Lugar: Paulo Felipe Gonçalo, que interpretou “Multiformas”, 
 Paulo Felipe Gonçalo (Foto: Jader Souza)
da industriária Emanuela Matias da Silva. 























3° Lugar: Luiz Paulo da Silva, que defendeu a sua própria poesia, “Meu silêncio”.



Olha aqui os intérpretes felizes da vida: (Foto: Jader Souza)


Anderson, por Jader Souza
Categoria Comunidade


 1° Lugar: Anderson Nascimento, que defendeu “Olheiros da Madrugada”, de Zanny Adairalba. É a terceira vez que o ator, havia seis anos afastado dos palcos, é premiado no  Conpoesi. 


Victor Matheus, no violão, e Rodrigo Mebs (foto Jader Souza)

2° Lugar:  Rodrigo Mebs, pela interpretação de “Desapego”, de autoria de Victor Matheus Portal de Matos, que subiu ao palco para fazer a trilha sonora da apresentação. Rodrigo é outro velho conhecido das premiações do Conpoesi. Só no ano passado pegou,direta e indiretamente, cinco dos troféus.







3° Lugar: Karen Barroso, defendendo “Noturnas Urbanas II”, de Roberto Mibielli.



A fotinha desfocada de  Karen é de Edgar Borges


Aqui, na fotinha de Jader Souza,  a turma feliz da vida recebendo seus troféus e os cheques



Ganhadores da modalidade Escrita

Categoria Industriário
1° Lugar: Eliana Santos de Souza, com a poesia “Borboleta Bailarina”.

(Foto: Jader Souza)


2° Lugar: Margarita Caplan Schvartz, com a poesia “Tormenta”. Margarita foi premiada ano passado nas modalidades Escrita e Interpretação. Por isso o nome soou familiar a este redator.

(Foto: Jader Souza)


3° Lugar: Danúbia dos Santos, com o texto “Magia do Lavrado”, aquele apresentado pelo seu marido lá na modalidade Interpretação . Aqui você nota que esta foi a família mais feliz da noite, com dois prêmios de uma só vez.
(Foto: Jader Souza)


Olha as poetas industriárias (Foto: Jader Souza)



Categoria Comunidade


1° Lugar: Vivian Santos, com a poesia “Desencanto”.



Zanny Adairalba (Foto: Edgar Borges)


2° Lugar: Zanny Adairalba, com a poesia “Olheiros da Madrugada”, que, caso o leitor tenha esquecido, deu o primeiro lugar na modalidade Interpretação – Comunidade ao ator Anderson Nascimento. Zanny já foi premiada em outros Conpoesis também.














3° Lugar: Eli Macuxi, com a poesia “Divisão”. Eli é outra veterana do Conpoesi. É o terceiro texto seu premiado no concurso.


Eli Macuxi, Vivian Santos  e Zanny Adairalba (Foto: Jader Souza)



Os participantes do XIV Conpoesi (Foto: Jader Souza)


O blog Cultura de Roraima fechou acordos com alguns dos autores para publicar em primeira mão vários dos poemas selecionados para o Conpoesi. Até o fechamento do texto, já contávamos com três, que podem ser acessados logo abaixo desta postagem.

Antes disso, confira outras fotos do evento, todas de Edgar Borges, este que vos escreve:

Alexia Linke, uma das juradas da noite, e sua sombrinha estilosa

Poeta/professor Roberto Mibielli e um copo de uísque

Anderson, Adilia Quintelas, Eli Macuxi, Zanny,  Mibielli e o cabelo de Rodrigo Mebs

Eli Macuxi, conferindo o SMS



Mebs e Matheus: uísque e vinho

Esperando o resultado

O pensamento positivo, expresso na mão da fotógrafa Kalyua Vasconcelos

Isabela  Quintelas fez a última récita da noite

Anderson e Zanny, a felicidade do Olheiros da Madrugada
Anderson, Zanny e Adilia Quintelas, que também concorreu
Jader Souza, fotógrafo do Sesi, e o final da noite
Rodrigo, Adilia e um beijo tímido


sábado, 2 de junho de 2012

OLHEIROS DA MADRUGADA (ou Cortejo agreste) – Poesia de Zanny Adairalba, selecionada para o XIV Conpoesi

Viram céus escurecendo
O riso ficando pouco
A sorte fugindo a tempo
O vento pegando fogo
Viram vidas maltratadas
Na rede da despedida
A cobra lançar seu jogo
Na alma seca, ferida
Viram o mês de janeiro
Fevereiro, março, abril
No pulsar de tantos veios
Nenhuma rosa se viu
Viram secas na varanda
Empoeirando as saídas
Como quebrados desejos
Muita morte, pouca vida
Viram tristes madrugadas
Cair nãos mãos do clarão
Ratos de vala sem leito
Como quem cai no porão
Viram silêncio marcado
Se desfazendo no mundo
Viram vazio profundo
Mortalhas na amplidão
Viram sorte encabulada
Ao longe se retorcendo
Viram vela, fogo, vento
Nos braços da escuridão
Viram gritos solitários
Se espalhando pela terra
Pouco tempo, vento, vela
Soldado de pés sem chão

(2° lugar, categoria Comunidade, modalidade Escrita, e 1° lugar, categoria Comunidade, modalidade Interpretação, defendida por Anderson Nascimento)

DIVISÃO - Poesia de Eli Macuxi, selecionada para o XIV Conpoesi

Amanhece um colorido tão intenso
Que meus olhos se colorem, se enrubescem
E se fecham, irrequietos e acossados
Pela luz dessa vida que se aquece.
Esse dia não combina com minh’alma
Que se engana, ao julgar que estava livre
E solitária vaga, voa, sobrevive
À condição de ser fratura, de ser trauma.
E meu corpo, esse cruel detalhe horrendo,
A expressão da alma minha não permite
Se alegra com o sol que se avizinha
Recolhendo-se pleno de limite.
Nessa luta, nesse campo, nessa arena
Sou a grama sob os pés dos paquidermes
Sou o marisco que se debate inerme
Nos desvãos da luta entre a rocha e o mar.
Quando tudo que eu queria era amar
Vem o sol, numa louca epifania
Cala o corpo, que berrava em histeria
Cala a alma, que folgava em se danar.

(3° lugar, categoria Comunidade, modalidade Escrita)

DESAPEGO – Poesia de Victor Matheus, selecionada para o XIV Conpoesi

Tu, que antes fora
A inspiração pro meu sorriso,
Em noites de tormenta,
Acalmando meu suplício...

Agora, jaz no leito do firmamento
Por tua própria escolha,
De ser nula, de ser crua, De negar minha carne nua
Quando abri um rasgo no meu peito.

Tu, Sorriso largo,
Olhos encantados Escravizaram os meus,
Contra a vontade,
Roubando minha insanidade, Sufocando meu silêncio...

Agora, quero-te enterrada
Varrida pelo vento do esquecimento,
Só assim para arrancar a adaga
Abduzir a chaga, que me virou do avesso.

(2° lugar, categoria Comunidade, modalidade Interpretação, defendida por Rodrigo Mebs)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Integrantes do Coletivo Caimbé selecionados para antologia poética


Entre 1.672 participantes, Edgar Borges e Zanny Adairalba, integrantes do Coletivo Arteliteratura Caimbé, ficaram entre os 40 selecionados para fazer parte da antologia resultante do II Concurso de Poesias Revista Literária – Edição 2011, promovido pelo Portal Revista Literária, com o apoio da Editora Scortecci e do Sindicato dos Escritores do Distrito Federal.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Escola 13 de Setembro realiza a 12ª edição da Mostra Poética

Professor Aldair Ribeiro é um dos organizadores do evento

Publicado originalmente no blog O Tiquiri, do jornalista Oiran Braga.


A Escola Estadual 13 de Setembro, realiza no dia 27 agosto 2010, às 14h30, no pátio da Escola a 12ª edição da Mostra Poética – Poesia e Contos, com poesias e contos de autoria dos alunos do Ensino Fundamental.

De acordo com o professor Aldair Ribeiro, coordenador do projeto, a Mostra é parte integrante do calendário da escola e na sua 11ª edição no ano passado apresentou uma inovação: além das poesias, também concorreram os melhores contos, criados pelos alunos.

Para o educador o ensino de poesia e contos na escola propicia muitos benefícios para o aluno que cria, lê e declama poemas/contos. “A poesia e o conto realizam um aprimoramento lingüístico fino e amplo ao mesmo tempo, desenvolve a expressão e a socialização, com esses gêneros literários se constrói a consciência da própria realidade através do processo de produzir e filosofar sua poesia e seu conto e as poesias e contos de autores consagrados”, afirmou Aldair.


Pensando nesse referencial, a escola Estadual 13 de Setembro criou há 12 anos a “MOSTRA POÉTICA DA ESCOLA 13 DE SETEMBRO – POESIA E CONTOS”, um concurso de poesias e contos, escritos e declamados, de autoria dos próprios alunos.


Finalidades

A Mostra tem as seguintes finalidades: estimular a produção literária dos gêneros poesia e conto; promover o aparecimento de talentos literários (escritores e declamadores); aprimorar os usos criativos da língua escrita e falada; estimular sensibilidade, criatividade, criticidade, capacidade de abstração e capacidade expressiva; discutir aspectos filosóficos-sociológicos nos trabalhos apresentados na mostra; promover expressão de sentimentos, idéias e opções individuais; identificar e aperfeiçoar elementos gramaticais, literários e artísticos presentes nas poesias e contos; difundir na comunidade escolar a importância da arte e da literatura na formação intelectual e da cidadania; promover uma expressão crítica e criativa da realidade dos alunos; entender a expressão literária como fonte de informação, prazer e conhecimento.

Doze anos de lutas


Aldair explica que durante estes anos passados a escola têm sugerido que a Secretaria de Educação Cultura e Desporto (SECD) criasse um evento estudantil voltado para a criação e declamação poética, no âmbito estadual, pois a Escola 13 de Setembro é a única no Estado que faz essa Mostra regularmente.


A sugestão obteve resultado em 2009: a SECD através do comitê estadual do PROLER e do Programa CAMINHADA LITERÁRIA realizou o 1° Concurso Estadual de Poesia profa. Liene Aguiar da Silva voltado para o público estudantil e utilizando a metodologia da escola 13 de setembro e o nosso edital de 2008 como modelo.

Resposta do Público

Nesta 12ª Mostra foram inscritos 59 poemas e 7 contos. Destes, foram selecionadas 20 poemas e 3 contos finalistas, que estão expostas na escola, e cujos vencedores serão conhecidos no dia 27 próximo às 14:30hs. No evento, as poesias finalistas serão também declamadas pelos autores ou por declamadores por eles autorizados. Na modalidade interpretação, a premiação será dada para o intérprete da poesia, seja ele o autor ou não.


Outras informações 3623 1122, 9964 1934, 91144696 , Com Aldair Ribeiro ou Romulo Bonates.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

UFRR promove seu II Concurso Vídeo Minuto


A Universidade Federal de Roraima recebe até as 12h do dia 3 de setembro inscrições na segunda edição do Concurso Vídeo Minuto.

A ficha e o edital estão disponíveis no site da instituição.

Este ano o edital está aberto à comunidade em geral, com o tema "Diversidade, Ciência e Sociedade na Fronteira Norte".


Os vídeos produzidos serão selecionados por uma comissão nomeada pela organização do evento de 21 anos da instituição e os escolhidos serão exibidos no dia do encerramento da programação.
Os vencedores receberão prêmios em dinheiro. O primeiro colocado lugar receberá R$ 900; o segundo lugar 700 e o terceiro R$ 400.


O vídeo pode ser feito com qualquer equipamento digital, seja uma câmera fotográfica, celular ou câmeras mais sofisticadas.

Além do prêmio em dinheiro, os filmes vencedores serão exibidos na cerimônia de encerramento das festividades dos 21 anos da UFRR e também na grade da TV Brasil local (TV Universitária, canal 02). Os vídeos também poderão ser assistidos pelos freqüentadores do Cineclube da Universidade Federal de Roraima.

Nesta quarta (25/8), às 16h, no auditório da Reitoria, o comitê executivo da programação de 21 anos e diretores da Associação dos Documentaristas e Curta Metragistas de Roraima (ABDeC/RR) vão realizar um workshop de audiovisual voltado a este gênero. O workshop permitirá que os participantes tirem suas dúvidas em relação ao concurso, além de conhecer outras produções neste formato.

Baixa aqui o edital e a ficha.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Poeta roraimense ganha Bolsa Funarte de Criação Literária

A Fundação Nacional de Artes (Funarte) publicou quarta-feira (4) a relação de 60 projetos contemplados com a Bolsa Funarte de Criação Literária. Os autores receberão R$ 30 mil para desenvolver textos inéditos nos gêneros lírico (poesias) ou narrativo (romances, contos, crônicas e novelas). O investimento total da Funarte no programa foi de R$ 1,9 milhão.

Foram inscritos neste ano 79 projetos de escritores da região Norte. Roraima tem, pelo segundo ano consecutivo, um representante entre os cinco selecionados. O felizardo de 2010 é Jaider da Silva Esbell, com o futuro livro "Terreiro de Macunaíma - mitos, lendas e estórias em vivências".

Os projetos foram selecionados por uma comissão formada por dez especialistas em literatura — Roberval Pereira, Evelina Hoisel, Luis Pimentel, Carlos Didier, Alvaro Costa e Silva Filho, Salomão Laredo, João Carlos Ribeiro, Márcio de Melo, Rita Limberti e Carlos Botkay.

Jaider vai falar sobre lendas e mitos da região

A seguir, uma entrevista com Jaider, o poeta descendente da etnia Wapixana. Se quiser depois trocar ideias direto com ele, manda um e-mail para es.b@hotmail.com.


Surpreso por ter sido selecionado pela Funarte?

Sim, muito. Especialmente por ser um concurso nacional de ampla divulgação e bastante concorrido. Também por ter sido a primeira vez que escrevi um projeto para a elaboração de uma obra de literatura. Surpreso pela oportunidade que o Brasil tem dado para se conhecer melhor, conhecer melhor seu povo e suas identidades regionais. Surpreso por protagonizar a democratização das oportunidades, mesmo achando que isto deve ser ainda maior.

Qual será a temática e gênero do projeto selecionado?

O projeto se chama: Terreiro de Macunaima - mitos, lendas e estórias em vivencias. E a proposta foi a apresentação de um livro com dez contos que registrará alguns mitos, lendas, estórias e passagens do cotidiano roraimense, manifestados em comportamentos e costumes variados. O teor dos contos busca valorizar a tradição de contar estórias e avivar na memória o universo especial das vivencias tradicionais. Um mix de realidade e fantasia. Esperem!

Como nasceu a idéia de elaborar esse projeto?

Estava com uma boa produção de textos e muita vontade de publicar alguma coisa, algo que me transportasse de novo para os dias no campo, e o contato com as pessoas, em especial os idosos e bem vividos, que terão participação fundamental na construção e consolidação deste projeto, pois como disse, para manter vivos os mitos e lendas, devo estar mais próximo de quem ainda os guarda e vivencia. Ao conhecer o edital, ví que muito do que eu queria enquanto escritor poderia se tornar realidade com o apoio oferecido pelo MINC. Acreditei e mergulhei na ideia do projeto.

Há quanto tempo você mexe com essa tal de literatura? Ou é a tal da literatura que mexe com você?

O meu primeiro contato com a literatura foi como ouvinte, quando meu avô, um wapixana velhinho reunia os netos em volta da rede e contava estórias fantásticas criadas por ele mesmo uma vez que não dominava a leitura. Deste contato descobri que queria ser também um contador de estórias e fui buscando um envolvimento maior. Na escola e na faculdade sempre escrevia, mas guardava para mim. Aos poucos fui mostrando meus textos e recebendo retornos positivos pelo conteúdo dos escritos, daí com mais segurança tenho intensificado o exercício da escrita desde 2007.

Você foi um dos premiados este ano no Concurso de Poesias do Sesi. Já havia recebido outros prêmios?

O primeiro prêmio que recebi pelo trabalho de arte foi uma panela de barro, quando fiz um desenho num congresso de catequistas indígenas ali na comunidade Canauaní. Quando cheguei em casa, vi que a panela esta rachada, mas gostei do prêmio, muito original.

Geralmente, qual é a temática de suas poesias?

Tive a felicidade de nascer e viver toda a infância e juventude no interior do estado, com todas as boas coisas que só mesmo vivendo para saber. O contato direto com a natureza, a interação e harmonia com o meio ambiente e o romantismo que resume tudo isso tem forte influencia sobre minha produção artística. Mesmo sabendo que a poesia pode ser triste, dolorosa, trágica, prefiro a poesia que conforta a alma e valoriza a beleza da viver.

Confira a poesia CABOCAGEM, premiada no Concurso de Poesia do Sesi 2010:

Sou desses campos montanhas e vales
Cato mirixi no chão ciscando folhas
Encho a mão jogo na boca e cuspo os caroços
Descanso à sombra do caimbezeiro
No ardor do meio dia mergulho num lago
Deixo o brilho do sol na água dourar minha pele fortificar meus cabelos
Ando pareço sem rumo mas sempre me acho no fim do dia
O vento apaga meu rastro recém nascido assim ando sempre à frente
Não faço cerca não mato sem fome
Trago peixe na enfieira carne seca e moqueada pimenta à cartucheira
Farinha beijú pajuarú
Casa de parente é casa nossa
Visita longa fogo feito rede atada
Mulheres em fila na catação
curumins praticando danação
Roça grande ajurí juriti massa no tipiti
Rio cheio canoa desliza silenciosa à sombra de copaíbas
Cuidado desvia do jauarí pega arapari flexa caparari
Bichos despertam em fúria.
O vôo dos patos assusta o jacaré
Mergulhando espera a calmaria
Iguanas ao sol enganam gavião com suas fantasias de cores
Tô aqui tô ali
sou verde sou o que precisa ser
Lago secando fazemos barreiras
Batemos água botamos timbó
O peixe sobe mambembe já esperava por este dia
Pés íntimos dos campos ornados hora por lama hora poeira
Cruzam e descruzam
Caminhos entrecortados por linhas sinuosas de buritizais
Vou pego palha
Os frutos caem
Mordiscados por maracanãs frenéticas
Me perco no meio do brejo mato alto
Me encanto com tudo que vejo
E tudo que vejo vejo desde meu nascer
Pegadas de porco do mato cheiro forte olhar austero
Tamanduá percorre seu território
Cupim aqui formiga ali
O dia encolhe a sombra muda de lado
Os ventos trazem a calma e armadilhas da noite
Olhos vagos na escuridão vento frio
Canaimés rasga mortalhas murucututus
Bichos da noite filhos da Mãe da lua Cruviana
Estrelas vigiam atentas mas quando piscam algo acontece

terça-feira, 6 de julho de 2010

Conheça os vencedores do Conpoesi 2010

A XI edição do Conpoesi (Concurso de Poesia do Sesi) conheceu seus ganhadores na noite do último sábado (3). As modalidades Escrita e Interpretação foram divididas em duas categorias: comunidade e industriário. Os vencedores receberam troféus e plata para celebrar a noite.

O grande vencedor foi Hudson Viana, que levou o primeiro lugar nas modalidades Escrita e Interpretação e ainda viu outra poesia sua ficar em terceiro com o intérprete Jonas Gondim.

Confira os vencedores por categoria:

INDUSTRIÁRIOS

modalidade Escrita

1º lugar - Hudson Viana, da Eletrobras Distribuidora, com a poesia Sou.
2º lugar - Alexandre Pereira Nogueira, da empresa Correios, com a poesia Fantasia.
3º lugar - Jaider da Silva, da empresa Eletrobrás/Eletronorte, com a poesia Cabocagem.


Modalidade Interpretação

1º lugar - Hudson Viana, interpretando a poesia Sou, de sua autoria.
2º lugar - Jaider da Silva, interpretando a sua poesia Cabocagem.
3º lugar - Jonas Gondim Martins, da empresa Correios, interpretando a poesia Maravilhosa Betânia, de Hudson Viana.

COMUNIDADE

Modalidade Escrita

1º lugar - Pra ninguém ficar sozinho, de Ciro Campos.
2º lugar - Folhas, de Zanny Adairalba.
3º lugar - Exibicionismo, de Cora Coralina.



Vencedores da categoria Escrita


Modalidade Interpretação

1º lugar - Cecília Monteles de Oliveira, que interpretou a poesia Folhas, de Zanny Adairalba.
2º lugar - Cora Coralina, com a poesia Exibicionismo.
3º lugar - Ciro Campos, com a poesia Pra ninguém ficar sozinho.


Cecília Monteles (E) com o seu checão


LEIA A POESIA FOLHAS, DE ZANNY ADAIRALBA


Eram leves
Como as pétalas de rosas
Sutilmente flutuando sobre o rio
Como folhas
Que se perdem pelas águas
Como impávido teor de calafrio

Eram claras
Como as faces de outras virgens
Que se entregam
Aos caminhos dos amantes
Como rosas
Soltas num vento tão frio
Eram passos
Sobre o trilho dos errantes

Nas canções
Que soam dias tão tristonhos
Bebe a palidez da face hoje descrente
Misturadas no temor de anjos risonhos
Devoradas por mortais de olhar temente

Quando as águas
Vão passando em devaneio
As palavras vestem seus velhos tormentos
As lembranças viram cinzas de saudade
As idades,
Folhas soltas de outros tempos.