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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Coluna Rede Literária, edição #150 de 23.02.18

Prólogo

Buenas, povo bonito.

Chegamos orgulhosamente à edição número 150 da coluna Rede Literária.

Como é algo para ser celebrado, convidamos os leitores a nos convidarem para bebericar algo em troca de contarmos como é esta singela experiência de jornalismo cultural no meio do mundo.

Enquanto vocês decidem o boteco onde vamos nos encontrar, leiam, compartilhem e comentem a postagem desta semana.

No aguardo de seus contatinhos,

Edgar Borges

Mande notícias: culturaderoraima@gmail.com / edgarjfborges@gmail.com

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ANARRIÊ

De olho nos inúmeros arraiais que acontecem em Roraima, as quadrilhas juninas já começaram a ensaiar em escolas e outros espaços. Uma delas é o Grupo Folclórico Coração Caipira, que buscará novamente os títulos de campeã municipal e estadual roraimense (este aqui lhe assegura uma vaga no concurso Nacional de Quadrilhas Juninas que neste vai rolar em Boa Vista).



 Se você quiser conferir os ensaios da Coração Caipira, é só chegar sábados e domingos às 17h na escola estadual Girassol, rua Jango Menezes, bairro Buritis.


ARTE DIGITAL

“Kraken”, aquele bicho enorme mitológico que habita as profundezas do mar, é o título da ilustração feita recentemente pelo Edgarzinho Ebb, filhote artista de 10 anos deste blogueiro que ama vocês. A imagem foi produzida no Paint a partir da ressignificação das imagens padrão do programa.



Mande também sua arte digital (ou digitalizada) para nós, com seu nome, título da obra, site ou rede social. Será um prazer divulgar.

TOMA CULTURAL



Artistas brasileiros e venezuelanos fizeram na última segunda (20/02) uma ocupação cultural na praça Capitão Clóvis, Centro de Boa Vista, levando música, poesia, arte e alimentos para os migrantes que ocupam o espaço.



A intervenção serviu para atenuar o sofrimento dos migrantes que estão abandonando a Venezuela por conta da crise econômica do país vizinho e vindo morar em Boa Vista. Dezenas estão acampados na praça, dormindo ao relento e sobrevivendo de doações enquanto não conseguem espaços próprios para viver ou avançam rumo a outras cidades ou países.



A poeta Elimacuxi foi uma das artistas que participou da Toma Cultural e é a autora destes registros de amor e solidariedade. É dela também o texto a seguir, comentando porque se engajou na ação:



“A arte não é uma fuga da realidade trágica da fome. É um saciar de outras fomes. Ninguém quer só sobreviver. A arte transforma dor em potência. Mobilizados pela Zoë Clara, Benjamin Mast e a banda Los Goliardos, muitos se envolveram na tomada cultural da Praça Clóvis. Os sorrisos colhidos são nosso troféu. Ganhamos todos ao demonstrar que em Boa Vista há quem não se acomode com o discurso de ódio, quem diz Não à xenofobia e abraça a solidariedade como forma de fazer, da vida, arte.”




POESIA

A seguir, um poema visual falando sobre solidariedade, de autoria de Carolina Uchôa, que tem outras coisas para serem lidas em sua página no facebook. 





SEJA SOLIDÁRIO

Ainda no clima da questão migratória, vamos a uma nota de utilidade pública: centenas de migrantes estão vivendo maus momentos nas praças e abrigos da cidade. Sensibilizadas com isso, pessoas de bom coração organizam quase que todo dia a distribuição de alimentos nestes locais.

Se você quiser ajudar doando alimentos marmitas, dinheiro para comprar gás ou voluntariando-se para dar uma força na preparação e distribuição dos alimentos, é só entrar em contato com um ou com todos esses telefones aí a seguir. Faça isso. O mundo agradece.


981113019    -  981072920   -   981146681

Guardou na agenda? Agora é só ligar.


COLECIONISMO

Dá um chega neste sábado (24) no prédio do Espaço de Cultura e Arte União Operária e participa da reunião do Clube de Colecionadores. A turma fechou parceria com a UFRR, responsável pelo prédio, e agora passa a fazer seus encontros no local, que fica na avenida Nossa Senhora da Consolata, 565, Centro.

A reunião começa às 9h e qualquer pessoa com interesse em colecionismo pode participar. O grupo nasceu no dia 29 de novembro de 2014, com uma proposta bem simples: encontrar-se todo sábado na antiga Livraria Saber e trocar informações e dialogar sobre coleções de todo tipo.



Por isso os participantes sempre levam peças de suas coleções para mostrar aos colegas. Aparece de moeda antiga a máquina fotográfica, passando por miniatura de carrinhos.

Aqui no blog a gente já falou outras vezes sobre colecionismo. Se quiser conferir, clica.


MAPEAMENTO

A Associação de Travestis, Transexuais e Transgêneros do Estado de Roraima (Aterr) iniciou uma campanha de arrecadação de material escolar e de higiene, além de brinquedos, para distribuir entre os migrantes venezuelanos.

Se quiser colaborar, ligue para 999173300 ou 991161967.



Além desta campanha, a Aterrr prepara-se para uma tarefa que vai exigir todo apoio da comunidade: fazer um mapeamento das travestis que vieram morar em Roraima por conta da onda migratória venezuelana.

Quem souber de alguém, avise.


MONTE RORAIMA

Termina nesta sexta (23) a exposição com fotografias digitais do Monte Roraima na galeria Galeria Franco Melchiorri (Sesc Mecejana).


Os interessados têm até as 21h para conferir as imagens, produzidas durante uma excursão realizada no ano passado à montanha que dá nome ao nosso estado e é o berço das mais importantes mitologias indígenas da região.


A exposição é formada por imagens projetadas nas paredes da galeria e destacam a fauna, a flora e paisagens do monte. Numa das paredes da galeria é possível conferir um infográfico do Monte Roraima, pintado pela artista maranhense Vivian Alves.



YE’KWANA

A Universidade Estadual de Roraima (UERR) promove neste sábado (24) o seminário “A Distinção contável-massivo no Ye’kwana e em outras línguas Karib de Roraima: novas perspectivas de pesquisa linguística”.

O seminário será uma apresentação pública da pesquisa de doutorado desenvolvida pela professora do curso de Letras, Isabella Coutinho Costa. O trabalho mostra a distinção entre nomes contáveis e massivos no Ye’kwana, uma língua da família Karib falada no extremo noroeste de Roraima, na Terra Indígena Yanomami.

Também haverá um debate sobre as perspectivas de pesquisa linguística na área de línguas indígenas.

O evento é gratuito e aberto ao público.

BOOKCROSSING

Além de colunista cultural, sou também o autor do livro de contos "Sem Grandes Delongas". Há alguns dias iniciei um bookcrossing com ele (ou seja, estou deixando exemplares do livro em lugares públicos para quem pegar primeiro).

Já liberei exemplares no parlatório da Universidade Federal de Roraima e nas escadarias do prédio histórico Casa Bandeirante (ou JG Araújo, para os mais íntimos), no Centro.





Neste final de semana devo deixar na praça Mané Garricha e no bairro Cambará. Quem achar, dê aquele retorno para eu saber sua opinião. Quem quiser comprar, é só mandar e-email ou me contatar via redes sociais.




Ah, o blog do livro é este.



UM CONTO 

Marcelo Perez, autor do livro de contos “O desgaste do tempo nos dentes”, lançado em setembro de 2017, nos brinda esta semana com um de seus textos, intitulado

PARANOIA CONTAGIANTE

Eu vivo trancado em meus medos. Não pense que você é diferente. Mas não é mesmo. Eu tenho a
mente inquieta. Enxergo a vida em pedaços, vários ao mesmo tempo. Tenho a ligeira sensação de algumas partes, talvez as metades. E embora isso pareça um tanto quanto sufocante e eu posso garantir que é, sobrevivo. Não acredito em nenhuma mudança espetacular do ser humano. Somos todos doentes. A minha fé é mercenária. Somos exatamente o que deveríamos ser.

Todos os dias faço as mesmas coisas com a impressão de não haver escolhas, o livre arbítrio é alegoria da Bíblia. E como um boneco em suas limitadas funções, eu as repito. O banho gelado após o trabalho. Os três sanduíches de pão com queijo, quase queimados. Depois entro no quarto e morro de frio com dois ventiladores e a central de ar ao máximo. No fundo eu gosto da beira do abismo.
Estirado na cama, com o estômago entupido e ligeiramente anestesiado, meus olhos pesam como chumbo em água. E eu resisto. Eles completam uma piscada mais lenta, eu resisto, insisto em mantê-los abertos, insisto em pensar que a vida não é assim. Mas em bem pouco tempo, sem nem me dar conta, já fui. A vida é assim.

Após um pequeno intervalo, acordo desesperado. Como sempre faço. Não consigo dormir sem antes completar a ronda pelos cômodos da casa. E como um cachorro desconfiado, ávido pelo muro do seu território, eu executo rigorosamente a mesma trajetória. Vou até o escritório, chego bem perto da janela e observo. Em seguida, me distraio na estante com as fotos da família, a cada dia me parecem diferentes os olhos distantes. Passo pela sala vazia, ainda sem mobília e arrisco uma olhada na janela. Entro na cozinha e com a luz apagada percorro todo o comungol, de uma ponta a outra da parede. Ele forma um imenso painel com ampla visão do fundo do quintal. A escuridão atraente dos terrenos vizinhos, o silêncio da noite de olho no descuido do alvo e a chuva insistente do inverno. Tudo parece normal.

Mas na semana passada, após rondar por todos os cômodos, quando eu já havia deitado na cama de vez, ouvi barulhos estranhos do lado de fora. Não era o vento incansável e nem as folhas arrastadas nas patas dos cães. Encostei o rosto na grade da janela da sala e espiei por um tempo um pedaço de rua sozinha lá fora. Entrei na cozinha, percorri todo o perímetro e nada. E foi enquanto eu bebia um copo com água, com os olhos apontados para o fundo do quintal eu avistei dois vultos. Por uns instantes não tirei os olhos daquela imagem, queria perceber algum movimento frequente, justificando a necessidade das minhas rondas noturnas. Até reconheço traços de uma psicopatia presente neste meu hábito obscuro, mas também confesso o quanto é excitante pensar na possibilidade de um dia, de fato encontrar algo. E isso é inexplicável.

Então, o grito. Depois da história esquecida dos vultos, eu estava dentro do quarto quando ouvi. Voltei correndo à cozinha, me escorei na beira do comungol e avistei do outro lado da cerca um homem de boné, agarrado aos cabelos de uma mulher. Percebi a discussão pelo excesso dos gestos. O homem levantou o braço e em seguida golpeou o pescoço dela por diversas vezes. Foram seis estocadas. E na sequência, outro grito. O estranho imediatamente olhou para o escuro, na minha direção. Não sei bem explicar como foi, eu deixei escapar esse grito, lá no fundo jamais queria ter visto, o indivíduo percebeu, descontrolado ou talvez mais excitado, continuou golpeando o pescoço da vítima, golpeava o pescoço da vítima, e a cada golpe ela se desfalecia.
— O que foi isso, criatura? — minha mulher invadiu a cozinha, acendeu a luz e começou a me questionar. Nesse momento o agressor olhou novamente na direção da minha casa.

— Apague essa merda! — gritei com ela. E a cena sumiu tão rápido como neblina na beira da estrada.

— Acabei de ver uma mulher sendo esfaqueada — eu disse.

— Você tá de sacanagem... — ela não acreditou — você come demais antes de dormir. E devia parar também com essas rondas noturnas pela casa. Tá cada dia mais paranoico, seu maluco!

Depois de tanto fritar na cama, adormeci. A casa toda trancada. De alguma forma, naquele momento, isso me acalmava. No outro dia, acordamos sem muitas palavras. Como de costume, fui cuidar dos cachorros no quintal. Fiquei observando os pequenos matando a sede e sem querer desviei a atenção para o fundo. O outro lado da cerca escondia o cenário de uma tragédia, disso eu tinha certeza. Eu não era nenhum maluco. Quando me dei conta, estava rastejando pelo mato, farejando como um cão policial, investigando cada pedaço de chão em busca do alívio imediato. E foi perto da cerca, foi perto da cerca que encontrei a prova da minha sanidade. Um boné caído, sujo de sangue. Precisava avisar minha esposa.

Voltei correndo e chegando próximo da porta ouvi um grito vindo de dentro. Quando entrei na cozinha, ela estava agachada no canto da parede, completamente estagnada, olhando para o armário do outro lado — o que foi, amor? — perguntei, me aproximando devagar. Ela, tremendo e quase sem forças, apontava para o móvel. Ainda escorria um filete de sangue na porta. Cheguei bem perto, hesitante, e quando eu abri.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Eu começo a minha ronda às onze horas. A minha mulher fará o turno das duas da madrugada. Estamos agora dividindo a noite em turnos de três horas. Às vezes, ficamos os dois acordados, armados, cada um de um lado da casa se comunicando pelo WhatsApp. Está ventando demais essa noite. Demais. Isso não é normal. Isso não é normal. A madrugada vai ser extremamente agitada... eu acho.

******
Se quiser adquirir o livro “O desgaste do tempo nos dentes”, ligue ou mande e-mail para o Marcelo:
(95) 98114-0349 / marceloperezmaciel@gmail.com.


POR ENQUANTO É SÓ



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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Coluna Rede Literária, edição #148, de 09.02.18

Prólogo

Salve, turma que vai cair na folia!

É tempo de Carnaval e cá chegamos trazendo textos de prosa e poesia produzidos em Roraima, todos abordando a questão da migração.
Nestes dias de proliferação do discurso do ódio contra os milhares de venezuelanos que vieram para as terras de Makunaima e foram tornados os causadores de todo mal que se abate sobre o Estado, o olhar especial dos escritores roraimenses é uma luz sobre a escuridão que projetam as centenas de postagens e comentários xenofóbicos em redes sociais todos os dias.
Além dos textos, trazemos também um documentário produzido pelos alunos do curso de Comunicação Social da UFRR abordando a questão da saudade que os migrantes sentem de suas casas e familiares. Ou você achou que a turma viaja e não lembra de mais nada?
Boa leitura e lembre-se, car@ leit@r: tenha empatia, entenda o contexto, seja luz e não o lado negro da força.

Edgar Borges

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PAPO DE TÁXI

Ricardo Dantas*


Foto: Marcos Lima
A cada dia começo a acreditar que o conhecimento absoluto se encontra nos táxis. Ou não...

Hoje, cerca de quatro horas da tarde, calor lazarento, não o típico calor de Boa Vista, estou me referindo ao estágio para o inferno! Daquele calor que sombra alguma adianta, nem mesmo se enterrando debaixo da terra! Nem a pau iria de ônibus, pois na verdade não são ônibus, são fornalhas motorizadas. Eu já estava havia cerca de dez minutos passando calor na esquina do Terminal da Praça das Águas. Passaram três táxis (por um motivo que ainda não descobri, possuem pavor de irem pela Princesa Isabel). Preferem Caranã, Bairro União, menos a Princesa Isabel. Deve ser raiva por ela ter dado alforria aos negros, sei lá, do jeito que as coisas andam hoje em dia, não duvido de nada!

Ao pegar finalmente um táxi, entro, sinto aquele maravilhoso frescor ártico do ar-condicionado e eis que, na minha imensa burrice, falo assim para o taxista:
‒ Bom mesmo é ser taxista, que trabalha o dia todinho no ar-condicionado! ‒ Logo após proferir tamanha imbecilidade, dei-me conta do sacrilégio que havia cometido.
‒ E a gasolina?! E o pneu?! E a manutenção?! E o óleo?! ‒ Esbravejou o taxista.
‒ É mesmo... É mesmo... ‒ Pianinho, apenas concordava. Mas o homem não parava.
‒ Troco de óleo a cada vinte e dois dias! Pneu é a cada três meses, e gasolina gasto cerca de cento e sessenta reais por dia! ‒ As palavras de ordem soavam como um político no palanque.
‒ Verdade, a gasolina está cara... ‒ Era a única coisa que poderia falar. O homem estava puto da vida.
‒ Hum! ‒ Resmungou como que se quisesse dizer: “Em que planeta você vive, abestado?!”.

Nessa altura haviam entrado mais passageiros, e completado a lotação. Paramos no sinal na Venezuela com a Brigadeiro, defronte à sede do IBAMA, e uma mulher comentou:
‒ Como essas pessoas conseguem passar o dia todo nesse sol quente?
‒ Isso não liga pra nada não! ‒ Agora estava na hora do taxista descontar sua raiva nos venezuelanos ‒ Isso aí aguenta tudo! ‒ reparem na forma como ele se referia aos venezuelanos: “isso”...
‒ Coitados... ‒ Compadeceu-se a mulher.
‒ Coitados nada! Ontem estive em Pacaraima e tem mais de mil andando no sol quente! ‒ informou o motorista.
‒ Estão vindo de Santa Elena para Pacaraima? ‒ perguntei.
‒ Nada! Estavam ali perto do Cem, andando mesmo, uns mil, tudo vindo para cá! Olha, Roraima acabou! ‒ O homem falava com ódio ‒ Essas porras estão vindo para cá e só vai ter tragédia! Assalto, sequestro, estupro...
‒ Que é isso, meu amigo! Não pense assim não. ‒ A xenofobia estava no nível máximo e eu queria pular do táxi.
‒ Ô besta! Mas não vai demorar muito e a polícia irá dar cabo de todos eles!
‒ O senhor está falando em extermínio? ‒ A parada estava ficando pesada.
‒ Ô besta! A polícia vai matar sem nem perguntar! Vai ter que ser igual na Venezuela, chegar e meter bala mesmo!
‒ Hômi, não fale isso. Não é correto... ‒ Estava desolado. Realmente o ódio e xenofobia será corriqueiro em Roraima ‒ Vou descer aqui.

*Professor e escritor, autor do livro Meia Pata.


EXODO

Aldenor Pimentel*




*Jornalista e escritor, autor do livro Livrinho da Silva. Mais infos no blog Arte de Aldenor Pimentel.


ESTRELINHA

Vitor de Araújo*

Créditos: GIFMania (http://bit.ly/2BMq5xL) 



Viro estrelinha
Enquanto não viro uma estrelinha.
Nesse tempo meu papa
Vende Pirulin da feira
(Brasileira)
No Sinal da Major o ilha
Com a Vil lhe rói


*Professor de Literatura. Escreve no blog Leve Mediocridade. 


QUESTIONAMENTOS


 Lambe-lambe produzido pela turma do Coletivo Carapanã especialmente para esta edição da coluna Rede Literária. Baixe, imprima, espalhe, lute contra o xenofobismo.





DESESPERANÇA

Elimacuxi*

Foto: : @_5le_


Chegaram-me hoje notícias de longe
de Green Point, de Cape Town
notícias de meninas pretas
lavadas em sangue,
jogadas em fossas
estupradas,
"corrigidas".

Chegaram-me hoje notícias de longe
de homens engravatados
grávidos de ódio
agravando abismos
em nome de deus.

Disseram-me forte hoje,
eu que burguesamente há dias
me esvaio em lágrimas
peito aberto, sangrado, sofrido
lamentando mais um sonho perdido
e desesperando por causa de amor...
eu recebi notícias de longe
que me ferem tal qual o abandono,
notícias que me tiram o sono,
notícias que me ampliam a dor.

Tanta treva
me trouxe à memória
notícias velhas de mis hermanas
putas pobres, travestis,
retirantes nordestinas
e imigrantes venezuelanas.

Sinto como se fosse minha cada ferida
e vago nesse escuro,
minha voz e meu verso são impotentes
embora eu não fique em cima do muro
sinto-me inválida, solitária e triste
diante da violência que avança
com a espada em riste
e veloz, vertiginosa
subverte sujeitos
e criminaliza afetos
nega aos não-normatizados
sua condição humana
e os descarta,
como abjetos objetos...

Históriadora e poeta, autora do livro Amor para quem odeia. Leia mais em seu blog.
http://elimacuxi.blogspot.com.br


SOBRE HUMANIDADES

Arte de rua colada em um poste da cidade de Santiago de Chile (Foto: Edgar Borges)




DESLOCADOS

Gabriel Alencar*

Atroz competição;
Do egoísmo a epítome,
Do interesse desmedido,
A última lesão.

Corre, se deita e se abaixa!
Não olha pra cima
Abraça e olha pra sua amada:
A hora final se aproxima.

Da janela vejo minha cidade
Nos escombros reconheço
Meu pai, minha mãe,
Toda minha verdade.

No refúgio busco reconstruir
A custos altos o que perdi.
Os olhos vorazes me perseguem
Não são mais meus inimigos
São os habitantes do lugar...
Tenho medo que me carreguem.

Minha casa está destruída e só essa vida me resta
Busco um abrigo, que não essa existência funesta.
_______________________________

Victoria, minha filha, tem fome
Pego o pacote de biscoitos
Só tem dois
Dou metade de um pra ela
Como as migalhas.

Hoje faz muito sol
Nossa água está quente.
Vejo um posto policial,
Mais à frente.

Nele me tomam o pouco dinheiro que tenho
Só me resta continuar andando.
Victoria está cansada, pego-a no colo.
Sigo caminhando.

Foram cinco dias nesta batalha
Minha filha hoje tomou uma sopa
E eu estou contente
Mas tem essa dor latente...

Consegui uma matrícula pra minha filha
Ela disse que consegue contar minhas costelas
Eu finjo que acho graça.
_______________________________

Quando o furacão chegou
Todos correram, todos caíram
Tinha um navio, de um amigo
Me carregou.

Minha irmã morreu na viagem
Cheguei numa terra estranha
Todos me olhavam e não me viam.
Uma miragem.

Consegui um emprego
Vendo gelado no palito
Aí levaram todo meu dinheiro
Porque tanto mal comigo?

Aqui faz sol, mas já estou acostumado
Alguns dias até vendo uns bocados
E me resta essa existência.
_______________________________

“Extra! Extra!
Tomaram-lhe a vida!
Extra! Extra!
Quem foi?
Só pode ser…
Foi por causa da bomba
Que ceifou sua família.”

“Últimas novas do dia:
A primeira delas morre no nosso hospital
Sua filha chorava alto, incomodava a todos!
Os médicos disseram que havia outros
Que já estava saindo do normal.”

“No noticiário de hoje
Anunciaram um assalto:
Foi um homem
Que falava engraçado.”
_______________________________

E deslocados, seguem
Por falta de opção
A vida que lhes foi imposta.
Viver não é mais diversão
É buscar alento nos pequenos momentos
Sobrevivendo no locus destas idas.
Quem sabe não exista ainda quem os acolha?
Que entenda o sofrimento, essa falta de escolha?
E assim seria muito melhor
Ter um amparo, em tempos de mal a pior.

*Músico e escritor ao acaso, título de seu blog.


IRMANDADES


 Lambe-lambe produzido pela turma do Coletivo Carapanã especialmente para esta edição da coluna Rede Literária. Baixe, imprima, espalhe, lute contra o xenofobismo.


SOBRE SAUDADES



O documentário "Extraño" foi dirigido pela estudante de jornalismo Nara Michelly. Produzido para a disciplina de Jornalismo Comunitário do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Roraima (UFRR), aborda as dificuldades, o preconceito e a busca por uma nova vida pelos imigrantes venezuelanos que estão vivendo em Roraima.

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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Coletivo Caimbé promove Sarau da Lona Poética no bairro Dr. Sílvio Botelho




O Coletivo Arteliteratura Caimbé promove neste sábado (28) a edição de novembro do Sarau da Lona Poética.  As atividades começam às 19h, na Casa do Mike, espaço de artes mantido pelo músico e promotor cultural Mike Edwards, vocalista da banda de reggae Guy-bras e parceiro desta edição.

A Casa do Mike fica na rua N-20, 409, bairro Dr. Sílvio Botelho. O Sarau da Lona Poética terá entrada franca e reunirá manifestações poéticas, musicais e visuais.  A intenção é promover uma noite multicultural no coração da zona oeste de Boa Vista, estimulando a interação de artistas de várias partes da cidade. 


 O poeta e ator Anderson Souza é o convidado especial desta edição para apresentar uma performance poético-musical e a artista visual Georgina Sarmento vai expor suas obras. Também haverá sorteio de livros de autores regionais e exposição de fotopoemas de Edgar Borges, Zanny Adairalba e Edgar Bisneto. Como sempre, o microfone estará aberto para quem quiser declamar ou cantar. 

 
Poeta e ator Anderson Souza é o convidado especial desta edição


MARATONA POÉTICA – O Sarau da Lona Poética é o único evento público deste gênero realizado regularmente em Roraima. De periodicidade mensal, esta ação do Coletivo Caimbé teve início em 2014, dando sequência a outros saraus e atividades literárias que vinham sendo realizados desde 2009 pelo grupo. Qualquer pessoa pode participar, seja atração ou como espectador. 

Deste mês até abril de 2016, o Coletivo Caimbé planeja realizar 11 edições do Sarau da Lona Poética em Boa Vista e outras cidades de Roraima. A ação faz parte do projeto Saraus Poéticos Caimbé, que foi selecionado pela Bolsa de Fomento à Literatura da Fundação Biblioteca Nacional e do Ministério da Cultura.

Segundo Edgar Borges, um dos articuladores do Coletivo Caimbé, a intenção é continuar fortalecendo e dinamizando a cena literária em Roraima. “Desde 2009 fazemos isso, levando autores, artistas e suas obras para diversas localidades de nosso Estado e outras regiões. Assim, damos vigor aos elos criativo, mediador e produtivo deste segmento cultural”, afirma. Além de Edgar, fazem parte da equipe de produção do projeto Saraus Poéticos Caimbé a poeta Zanny Adairalba, a blogueira Lai Dantas e a ativista cultural Sângela Saito. 

A programação do Sarau é feita pelo próprio público participante, que apresenta músicas e poesias de sua escolha. Além disso, em cada edição há sempre exposições de artes visuais, além da venda e sorteio de livros de autores roraimenses. 

VISUAL –  Em suas coloridas obras, Georgina Sarmento retrata o corpo feminino, na maioria dos casos, de forma seminua e mais “cheinho”, com cabelos cacheados ou crespos volumosos. Com seus trabalhos, pretende mostrar que não há somente um tipo de beleza, imposto para muitas mulheres, mas que todas são bonitas em sua forma, independente de como seja. Para conhecer mais sobre o seu trabalho, acompanhe seu instagram: @georgina_ ars. 


Obras de Georgina Sarmento


IMAGENS DO SARAU - Para ver fotos e vídeos das edições do sarau, acesse o blog www.caimbe.blogspot.com.br,  curta a página www.facebook.com/coletivocaimbe ou siga o grupo no perfil www.twitter.com/coletivocaimbe.

Serviço
O que: Sarau da Lona Poética na Casa do Mike, com poesia, música e exposição de artes visuais.
Onde: Casa do Mike, rua 20, 409, bairro Dr. Silvio Botelho (entre a rotatória da Vila Olímpica e a avenida Nazaré Filgueiras).
Confira no Google Maps como chegar: http://bit.ly/1M24n6v
Quando: 28 de novembro (sábado), às 19h.
Quanto: entrada grátis.
Outras informações: 99111-4001 (Edgar Borges) e 981117043 (Mike Edwards).




terça-feira, 17 de novembro de 2015

Escritor de Roraima é eleito para o Colegiado Setorial de Literatura, Livro, Leitura e Bibliotecas do MinC

O escritor e jornalista roraimense Aldenor Pimentel foi eleito conselheiro titular pela cadeia criativa no Colegiado Setorial de Literatura, Livro, Leitura e Bibliotecas.

A eleição aconteceu no dia 12 de novembro, durante os Fóruns Setoriais de Cultura, organizados no Rio de Janeiro para renovar os integrantes de diversos colegiados do Conselho Nacional de Política Cultural, órgão consultivo do Ministério da Cultura.

Como conselheiro, Aldenor vai representar nas discussões do colegiado os escritores, ilustradores, diagramadores e todas as pessoas que trabalham com a parte criativa deste segmento. 

Nas duas gestões anteriores do colegiado, Edgar Borges (este blogueiro que lhes escreve) atuou como conselheiro pelo segmento criativo e pela representação regional Norte. 
Edgar também esteve no Rio para participar do processo eleitoral.

Além de Aldenor, foram eleitos, para outros segmentos, os fazedores de cultura em Roraima: Dayana Soares (Artes Visuais), Wilkinson Oliveira e Marcio Costa (Dança) e Kaline Barroso (Teatro).


Aldenor Pimentel

Dayana Soares

Kaline Barroso

 Marcio Costa 

Wilkinson Oliveira


Integrantes da cadeia criativa que participaram dos Fóruns  Setoriais de Cultura 2015 no Rio de Janeiro

Parte dos representantes roraimenses que participara dos Fóruns Setoriais de Cultura 2015