sábado, 9 de agosto de 2014

Coluna Rede Literária, edição # 108, de 09.08.14

PRÓLOGO
E aí, gente bacana? Dia de paz para todos. Trazemos hoje uma página lindamente feminina, embelezada pelas obras poéticas de várias mulheres e um rapaz, que acabou ficando como o bendito fruto entre elas. Compartilha por aí e espalha literatura. Ah, ficaremos fora durante o mês de agosto. Sintam a nossa falta.
Beijos.

Edgar Borges
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ARTEPOEMAS

Todas as imagens desta edição são fruto da parceria da poeta Karoll Gomes, do pintor Raniere  Carvalho e da fotógrafa Yamilla Ribeiro, que publicam regulamente na página do FB Poetizando. Vão lá e curtam que é bacana o material.




POEMAS DE ADÍLIA QUINTELAS

A carioca Adília Quintelas vive em Roraima desde 1996, onde canta e publica poemas em antologias e blogs. Vejam alguns deles:

COM VOCÊ

Com você
Perdi a fé em deus
Perdi a fé no amor
Perdi a fé nos homens
Perdi o caminho
Perdi a mim mesma
E depois
Te perdi

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ILHA

Uma estrela brilha
Na noite que não dorme
Enquanto a fumaça sobe
E a alma se atormenta
A dor quem inventa?
O que me faz ilha?

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LUZ

Por um instante
Esqueci de tudo em volta
Esqueci do mundo em que vivia
Esqueci até que vivia
Já não tinha corpo nem pensamento
Esqueci do sofrimento
Toda a matéria desapareceu
Por um instante
Eu nem era eu
E tudo o que havia era
Luz.

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CONSELHO MÉDICO


no meio da fumaça estranha
daquele cigarro importado
sem nicotina, sem nada
que você me deu pensando em me salvar
eu morro sufocada de saudade
que mata muito mais
do que o vício de fumar

me sinto atordoada
depois de todo esse tempo
tuas digitais ainda marcam tudo em mim
então, é assim
concluí que nenhum cigarro é bom
se não mata de câncer
mata do coração.


 


POEMAS DE ELIMACUXI

Autora do livro “Amor para quem odeia”, Elimacuxi também publica muito na web e espalha poesia por aí e acolá. Curte algumas de suas produções:

CREPÚSCULO

Dirijo

enquanto o sol tinge

de memória e laranja

toda a terra.

Finjo

que é do sol a dor que arde

e julgo que é o dia

quem vai tarde.

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PUERIL

Feito criança

miro fixo

o sol do meio dia

encantado de seu calor

transbordo

em sal e poesia.

Cego,

baixo a mirada

e infantilmente lamento

por toda a cor desbotada.

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FISSURA CARDÍACA

Com frases feitas

facilito diante da fera

que me fareja e fere

ferozmente...

Antes do fim

festejo a furiosa presença,

a ferida, a razão furtada,

e não rejeito

esse poema fincado à força

em meu peito.



 



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O QUE A VIDA DÁ 
(parceria com Ivan Lima)


Presentes: eu presente, tu presente.

Presentes.

Nós presentemente: Apresentados.

( - Pressentes? Presenteados!)


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TECER E TE SER

as palavras

feito pedras de sol

brilharam à exaustão

depois cansaram-se do excesso

sentiram-se soltas

sibilando sem razão

quase silenciosas

desfiam as sombras

do entretecido coração.