quarta-feira, 16 de junho de 2010

Jornalismo na terra de Makunaima

Bastidores da imprensa roraimense de 1985 a 2005 dão o tom do livro “Histórias de Redação – vinte anos de jornalismo na terra de Makunaima”, lançado pelo jornalista Francisco Espiridão. O livro está à venda em livrarias e bancas de Boa Vista. Qualquer coisa, liga e compra direto dele no (95) 9113-7367 ou faz pedidos direto no blog. Confere agora a entrevista com seu Espidi, como também é chamado o senhor da foto abaixo:



Cultura de Roraima - Me diz o que te dá mais prazer: ser jornalista ou escritor. O motivo também.



Espidi - Acredito que escrever é mesmo algo reconfortante, seja matéria jornalística ou uma obra literária. Para o escritor, a veia poética não é tudo, mas parece 100%. Para quem não a tem, o meu caso, o jornalismo parece mais fascinante. Você não precisa criar nada. Os fatos vêm até você, cabendo apenas interpretá-los e pô-los no papel. No máximo, usa-se de um pouco de perspicácia na investigação. Acho que ser jornalista é mais fácil que ser escritor. Eu gosto. Principalmente quando o fato jornalístico é empolgante. Dá adrenalina...

CdRR- Um livro sobre política, outro sobre jornalismo. Como escolhes os temas?


Espidi - Nas minhas duas únicas incursões como escritor, ainda que capenga, reconheço, o jornalismo sempre esteve presente. Afinal, não sei fazer outra coisa fora do jornalismo. Os temas escolhidos são sempre dentro dessa área. A política é muito instigante, rende. O mesmo acontece com o cotidiano. Histórias de Redação é uma grande reportagem.


CdRR- O que é mais difícil: escrever um livro ou publicá-lo?


Espidi - Escrever um livro para mim foi um momento único. Eu suava frio, escrevia e não gostava, apagava tudo, tornava a escrever, desistia, em seguida retomava o projeto, enfim, uma luta intensa comigo mesmo. O ato de escrever foi difícil, confesso. Mais difícil, porém, foi publicá-lo. Principalmente por não dispor de recursos nem patrocinador. Ninguém quer pôr dinheiro num projeto desses. Ler não dá lucro no aqui e agora. A dificuldade está, inclusive, no setor público. Tem dinheiro para gravar disco de forró, carnaval, centro de tradições... mas para publicar um livro o buraco é mais embaixo. Principalmente se você não é um Paulo Coelho, nem frequenta a mesa do rei.


CdRR- Um conselho para quem pretende ser escritor em Roraima.



Espidi - Escrever um livro é difícil. Se fosse fácil não teria graça nenhuma. Se você tem uma idéia na cabeça e acha que ela vale um cruzado, vá em frente. Mostre que é capaz. Com jeito você chega lá. Depois, se não vender tudo – este foi o caso do meu primeiro livro, já no segundo não fui tão bobo assim, fiz pequena quantidade –, você guarda para mostrar aos netos. Verá que vale a pena.