sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Coluna Rede Literária, edição #28, de 22.12.12


PRÓLOGOEntão...se você está lendo isto significa que o mundo não acabou ontem de jeito nenhum. Isso dá razão à minha editora, que não quis saber de história e exigiu que entregasse a coluna mesmo correndo o risco de morrer trabalhando...Bem, isso são meteoritos passados, né? Vamos à coluna, que, entre outras notas, hoje traz uma série de poemas produzidos com a temática Fim de Mundo. Beijos e bom Natal!

Edgar Borges
culturaderoraima@gmail.com


FESTANÇA



A poeta/contista Ágda Santos, na imagem entre a também poeta Eli Macuxi e a jornalista Érica Figueredo, celebrou ontem com um sarau o seu aniversário. Um beijaço e mil novas rimas em 2013 (Foto: Edgar Borges)

PARA GONZAGÃO

Olha que lindo o poema-homenagem feito por João Batista Fontenele, esse sujeito aí ao lado, a Luiz Gonzaga, que este mês completaria cem anos de vida. O texto foi lido numa comemoração que reuniu vários admiradores do cantor. Confere:

Obrigado, seu Luiz


Obrigado seu Luiz
Por ter vivido entre nós
Só de ouvir sua voz
O povo fica feliz
Em nome do meu país
Nossa eterna gratidão
Pelo povo do sertão
Tu serás sempre lembrado
Seu Luiz muito obrigado
Por ser o rei do baião

Das músicas que ele gravou
Que se tornaram sucessos
Eu vou transformar em verso
Algumas que ele cantou
É claro que eu não vou
Falar todas aqui não
Pois é grande a relação
E eu não sei decorado
Seu Luiz muito obrigado
Por ser o rei do baião

Cantou sanfona sentida
Pense n’eu sanfona branca
Assum preto Asa Branca
De todas mais conhecida
Cantou a triste partida
Do povo do meu sertão
Em cima de um caminhão
Migrando pra outro estado
Seu Luiz muito obrigado
Por ser o rei do baião

Deixa a tanga voar
E açucena cheirosa
O casamento de rosa
No tei tei do arraiá
Sou do banco quero chá
Matuto de opinião
O jumento é nosso irmão
Um sucesso consagrado
Seu Luiz muito obrigado
Por ser o rei do baião

Oia eu aqui de novo
Forró de fiá pavi
Xamego piripiri
E a sanfona do povo
Chá catuba capim novo
A puxada e procissão
A corrida de mourão
Cantou na feira de gado
Seu Luiz muito obrigado
Por ser o rei do baião

A mulher do sanfoneiro
Toca pai cintura fina
O cheiro da karolina
Facilita e boideiro
Mariana Juazeiro
Plano piloto e baião
Vem morena e cidadão
Casamento improvisado
Seu Luiz muito obrigado
Por ser o rei do baião

Vaca estrela boi fubá
Orélia e mangaratiba
Farinhada ePparaiba
Flor de lírio e sabiá
Certa vez no ceará
Cantou para o papa joão
No estádio castelão
Que eu vi estava lotado
 seu Luiz muito obrigado
Por ser o rei do baião

Feira de caruaru
Sanfoninha choradeira
A cauã e a ligeira
O forró de zé tatu
Uma pra mim uma pra tu
No forró de zé antão
Não há nada no sertão
 que ele não tenha cantado
Seu Luiz muito obrigado
Por ser o rei do baião


POLÍTICA CULTURAL

De 13 a 15 deste mês foi realizado em Brasília, pelo Ministério da Cultura, o Fórum Nacional Setorial do Livro, Leitura e Literatura. Este colunista, que participou entre 2010 e 2012 do Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura como representante da região Norte, participou do novo processo eleitoral e foi reencaminhado ao colegiado como conselheiro do segmento criativo até 2014. O colegiado integra a estrutura do CNPC (Conselho Nacional de Política Cultural).

COLEGIADO SETORIAL/CRIATIVOS
Confira a lista dos representantes do Colegiado do Livro, Leitura e Literatura/Conselho Nacional de Política Cultural. Conselheiros pelo segmento Criativo: Edgar Borges, Eduardo Vasconcellos, Kelsen Bravos e Lurdiana Costa Araújo (titulares). Shirlene Álvares Da Silva (1o Suplente) e Paula Izabela de Alcantara Alves (2o Suplente)

COLEGIADO SETORIAL/MEDIAÇÃO

Este são os conselheiros pelo segmento Mediação: Antonio Michel Felix Silva, Taiza Mara Rauen Moraes e Isis Valéria Gomes (titulares). Maria Roseneide Santana dos Santos, Fernando Ouriques De Vasconcelos Junior e Daniela Piergili Weiers de Oliveira (suplentes).

COLEGIADO SETORIAL/PRODUTIVOS

Conselheiros eleitos pelo segmento Produtivo: João Manoel Maldaner Carneiro, Sônia Da Cruz Machado de Moraes Jardim e Jose Alventino Lima Filho (titulares). Francisco Ednilson Xavier Gomes e João Tavares de Lira (suplentes).

BOATOS

Corre aí boataria
de que o mundo acabaria
numa sexta ao meio dia...
eu que nem posso com isso
to procurando um mestiço
onde eu possa me abrigar:
na pele dum nego duro
não espero a sexta, eu juro
que eu mesma vou me acabar!

Eli Macuxi


DISSERTANDO


Se eu não morrer
De hoje pra amanhã
Sinto muito dizer
Mas dia 21
Não morro, não

Ou então
Desisto
Se o mundo vai acabar
Pra quê dissertar,
Melhorar,
Aparar o texto

...

Na dúvida, vou ficar
Com a primeira opção
Faço a minha parte
E o universo, a sua
Que se exploda o mundo
E queime bem devagar
A minha dissertação

Leidejane Machado Sá



INSPIRAÇÃO NÃO ACABA

Estou faminta ...
Preciso descansar minha mente
Me fingir de demente
Relaxar e esperar o fim
Pra provar um pedaço de nuvem
Saber que gosto é que tem voar por ai
Leve assim.

Karoll Gomes









QUER VER O MUNDO ACABAR?

Matemos todos os políticos
Corruptos às chamas.
Quebremos todos os muros
Eliminemos todos os hipócritas.
Larguemos o nosso orgulho
Afogado em águas salgadas.
Acabemos com todo tipo de ciúme
Esmaguemos os canalhas.
Extirpemos os mentirosos
Cortemos os mal amados.
Vixe... num sobrou ninguém!!!!

Jairzinho Rebelo



BILAC APOCALÍPTICO
Se o mundo vai pro Beleléu
é melhor garantir poesia
pra outra dimensão.
“escreveu não leu o pau comeu”
eis a nova poética,
o novo céu
eu, se fosse Olavo riria
ou meteria as mãos no calção
e dali
tiraria um novo big bang
ou big pão
e onde seria trigo semente
seria mesmo um belo palavrão:
porque poesia bunitinha
se existir outra vida
melhor que seja poesia putinha
bem dadinha
par’os meus lábios de cão.

Francisco Alves



À ESPERA

Ave, Mundo! Aqueles que vão acabar te saúdam!
Na arena urde o público
Ruge o Tempo, um tigre surdo.
Os Cavaleiros, os quatro
aplaudem o espetáculo estúpido.
O homem aplaina o medo nas unhas, sem escudo nem espada,
está nu ou vestido de glória e vergonha,
espera ferido,
Espera o sinal,
caminha mudo entre ruínas,
mas ainda delira:
Que comece o final!

Sony Ferseck